França. Preocupação com destino dos seminários

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16 Junho 2021

 

Em torno de 815 homens estavam estudando para se tornarem padres diocesanos na França no início do ano; destes, 230 eram estrangeiros.

A reportagem é de Arnaud Bevilacqua, publicada por La Croix, 14-06-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Atualmente há 26 lugares de formação de padres na França, incluindo 16 seminários diocesanos ou interdiocesanos, como o seminário de La Castille, da Diocese de Fréjus-Toulon, o seminário de Saint-Cyprien, em Toulouse, ou Saint-Irénée, em Lyon.

“Hoje na França há apenas dois seminários diocesanos estrito senso, em Paris e Estrasburgo”, explicou Pascal Sarjas.

O padre da Diocese de Metz é reitor do seminário interdiocesano de Lorraine e secretário do Conselho Nacional para Seminários (CNGS).

“Os outros candidatos vêm de diferentes dioceses porque um certo número deles está agrupado em um seminário. Por exemplo, o seminário de Lorraine em Metz é apoiado por quatro dioceses (Metz, Nancy, Saint-Dié e Verdun) e também acolhe candidatos de Belfort ou Langres”, explica o reitor.

Há também nove lugares de formação ligados a institutos ou comunidades religiosas, como o Studium de Notre-Dame-de-Vie, o seminário da Societé Jean-Marie-Vianney (SJMV) em Ars-sur-Formans e a casa de formação da Comunidade Sain-Martin em Évron.

Da sua parte, o Caminho Neocatecumenal tem cinco seminários Redemptoris Mater na França.

O Pontifício Seminário Francês de Roma é parte integrante das estruturas formativas da Igreja na França.

“É especialmente voltado para estudantes que já têm uma grande experiência intelectual e que são enviados a Roma para obter uma licença canônica”, diz Sarjas.

Há também o Grupo de Formação Universitária, fundado em 1967, que oferece um tempo de formação para os alunos que se preparam para o ministério e que também fazem seus próprios estudos.

Havia cerca de 815 seminaristas no início do ano acadêmico 2020-2021; destes, 230 eram estrangeiros.

 

Que tipo de formação os seminários oferecem?

Todos os seminários oficialmente reconhecidos respondem à Ratio fundamentalis, o texto básico para a formação dos futuros sacerdotes, publicada pelo Vaticano em dezembro de 2016.

A Conferência Episcopal da França votou sua própria adaptação do texto, a Ratio nationalis, no final de março, durante sua última assembleia plenária. A previsão é que entre em vigor em setembro.

“A formação faz parte deste quadro preciso, mas cada lugar pode integrar elementos específicos”, garante o padre Sarjas.

Entre as especificidades, a Comunidade Saint-Martin (que conta atualmente com 100 seminaristas em formação) dá particular ênfase à dupla aprendizagem da vida comunitária e à mobilidade.

Don Louis-Hervé Guiny, que é o diretor da formação, afirma que esses dois aspectos explicam a atratividade da casa de formação.

A formação começa com pelo menos um ano de propedêutico nas 16 casas instaladas para esse fim.

Este ano, são 140 candidatos na França. Depois deste ano de discernimento, o curso de formação geralmente segue três etapas.

A formação do “discípulo-missionário”, para usar a expressão cara ao Papa Francisco, dura dois anos e é seguida por um ano de formação.

Em seguida, vem a etapa de “configuração ao Cristo pastor”, com duração de três ou quatro anos, e, por último, a “síntese vocacional”, um ano em tempo integral em uma paróquia.

No total, a formação costuma durar oito anos.

“A formação para o ministério hoje deve ser uma formação integral”, insiste o padre Sarjas.

“É, evidentemente, marcado por um caminho intelectual, mas completado por dimensões humanas, espirituais e pastorais. Acima de tudo, formamos homens de fé com capacidade de relacionamento para se sentirem bem consigo próprios e para viverem serenamente os seus ministérios”.

Nos últimos anos, a ênfase tem sido na formação humana com psicologia e sessões sobre afetividade e sexualidade como parte integrante dos programas.

Além disso, os seminários querem ser mais inclusivos para as mulheres, tanto nos conselhos quanto na formação.

 

O que o futuro reserva para os seminários?

A escassez de candidatos ao sacerdócio na França tem consequências para os seminários.

Dois deles fecharam as portas - pelo menos temporariamente - em 2019 “por falta de candidatos”.

O de Lille formou seminaristas de dez dioceses diferentes. O seminário de Bordeaux também foi encerrado.

O futuro destes lugares que formam sacerdotes é motivo de grande preocupação.

“Os bispos estão cientes das escolhas que terão que fazer. O primeiro consiste em fazer com que os seminários trabalhem mais entre si na mesma província, promovendo uma colaboração mais estreita”, disse o arcebispo Jérôme Beau, de Bourges, presidente da Comissão Episcopal dos Ministros Ordenados e Leigos em missão eclesial.

“É com base nisso que podemos construir o futuro no curto prazo sem fechar os seminários. No médio prazo, teremos que estudar o que pode ser preservado porque inevitavelmente haverá uma recomposição, a menos que haja um aumento das vocações”, completa.

A Ratio fundamentalis insiste na “necessidade de um número suficiente de vocações” para que o seminário seja “uma verdadeira comunidade de formação”.

Como parte da adaptação francesa, cada seminário deve traçar seu próprio plano de formação, que deve ser aceito por Roma.

“A questão dos números surge em certo número de seminários porque é necessário um número mínimo de candidatos para que haja emulação”, diz o padre Sarjas, que não descarta a ideia de agrupar todos os seminários ao longo do tempo.

O programa francês não menciona formalmente um número mínimo, embora se preveja cerca de 15 candidatos.

O outro ponto de tensão refere-se a ter uma quantidade suficiente de formadores, o qual é um desafio para muitas dioceses quando o número de padres está constantemente decrescendo.

 

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