Cardeais americanos refletem após comentários do Papa contrários à divisão na Igreja

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22 Novembro 2016

Quando o Papa Francisco falou com veemência contra o “vírus da polarização”, três novos cardeais americanos enxergaram uma oportunidade para um sério exame de consciência.

“Cacho que foi muito oportuno o que disse o Santo Padre”, falou a jornalistas o Cardeal Joseph Tobin em 19 de novembro.

A reportagem é de Elise Harris, publicada por CNA/EWTN News, 21-11-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Segundo ele, a primeira coisa a fazer em resposta é “examinar a nós mesmos na Igreja, para ver se nos apropriamos inconscientemente deste vírus” ou se, de alguma forma, estamos justificando-o quando “quando ele, na verdade, serve para dividir”.

Fazer isso, disse, pode ser considerado uma “uma resistência às ações do Espírito Santo”.

Tobin esteve entre os 17 bispos e sacerdotes que vieram de todo o mundo para a Basílica de São Pedro com a finalidade de receber, no sábado, um barrete vermelho do Papa Francisco durante um consistório especial pensado exatamente para coincidir com o final do Jubileu da Misericórdia.

O cardeal é atualmente o arcebispo de Indianápolis, mas irá liderar a Arquidiocese de Newark após a aposentadora de Dom John Myers.

Francisco proferiu uma homilia durante o consistório no início da manhã dizendo que estamos vivendo uma época “de graves problemas e questões globais”, e na qual “a polarização e a exclusão ressurgem e são consideradas a única maneira de resolver os conflitos”.

“Quantas situações de precariedade e sofrimento são disseminadas através deste crescimento da inimizade entre os povos, entre nós”, disse o papa, enfatizando que esta atitude também se infiltra na Igreja, em suas comunidades, reuniões e mesmo entre os sacerdotes.

“O vírus da polarização e da inimizade permeia as nossas maneiras de pensar, sentir e agir”, falou, acrescentando aos cardeais que “não somos imunes a isso e precisamos nos cuidar para que tais atitudes não encontrem espaço em nossos corações”.

Um outro bispo americano elevado juntamente com Tobin foi um cardeal nascido na Irlanda, Kevin Farrell, que vinha atuando como bispo de Dallas até agosto quando o papa o designou para presidir o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

Em resposta à homilia de Francisco, Farrell disse achar que a mensagem buscada pelo papa é a de que “todos precisamos estar um pouco mais preocupados, sermos um pouco mais misericordiosos e compassivos uns com os outros, com os nossos irmãos e irmãs”, na medida em que o Ano da Misericórdia chega ao fim.

“Todos precisamos aprender a respeitar uns aos outros. Podemos discordar em muitos pontos, mas temos entrar em diálogo. É isso o que acho que o Santo Padre quis e é isso que acredito ter sido o Ano da Misericórdia”, disse o cardeal.

Farrell falou ainda que a misericórdia deve continuar “e devemos vivê-la”.

As pessoas podem falar “tudo o que quiserem sobre todos os problemas teológicos que há no mundo”, mas se não fizerem num espírito de caridade, estes discursos estarão vazios, completou.

Da mesma forma, o Cardinal Blase Cupich, de Chicago, também recém-elevado ao Colégio Cardinalício, disse a jornalistas depois de receber o barrete vermelho que o emprego da palavra “vírus” por parte do Papa foi bem-sucedido, pois “a animosidade pode ser contagiosa e pode ser inflamada com circunstâncias que lhe permitiria ser assim”.

O cardeal disse acreditar que isso ocorre de verdade e que este e vírus “alimenta-se de si próprio”. Ele também observou a insistência de Francisco de que “cada um de nós tem a responsabilidade de quebrar tal ciclo de animosidade”.

Quanto ao seu próprio ministério pessoal na Arquidiocese de Chicago, Cupich disse que estar inspirado no Papa Francisco “para ver o mundo como ele vê, ter essa visão mais geral das coisas”, dando mais atenção à pobreza e à perseguição [religiosa].

Em uma breve conversa com o Papa Francisco antes do consistório, o prelado americano certificou o pontífice de sua obediência à Igreja e ao ministério petrino.

Além dos cardeais Tobin, Farrell e Cupich, outros 14 padres e bispos foram elevados ao cardinalato.

Muitos deles vêm de regiões periféricas do mundo.

Como em anos anteriores, Francisco fez questão de ter uma representação mais ampla, mais universal no Colégio Cardinalício. Ele elevou muitos bispos advindos de países pequenos ou ilhas que nunca antes tiveram um cardeal, assim como de países que apresentam desafios particulares em termos de alcance pastoral, como os que sofrem de perseguição e violência.

Das novas nomeações papais, sete são de países que nunca haviam tido um cardeal, incluindo: a República Centro-Africana, Bangladesh, a República de Maurício, Papua Nova Guiné, Malásia, Lesoto e Albânia.

O Cardeal Sean O‘Malley, de Boston, que participou do consistório, disse que, enquanto o papa tem falado da necessidade de ir ao encontro das periferias do mundo, “estas nomeações têm feito exatamente isto”.

Observou que há “muitas pessoas na Igreja que não sabem da existência desses lugares”, então ter agora um cardeal aí “é um indicativo da visão do Santo Padre pela universalidade, catolicidade, da Igreja”.

O cardeal falou também sobre o breve encontro dos novos cardeais com o Papa Bento XVI após o consistório, explicando que “todos eles estão muito felizes”. Disse que ver hoje o Papa Bento foi “uma alegria”.

O’Malley declarou que este Ano Santo da Misericórdia foi o Ano Santo mais bem-sucedido que já vivenciou.

“Ele tocou as baterias do mundo inteiro”, disse, acrescentando que “milhares de pessoas retornaram aos Sacramentos, entenderam como praticar a misericórdia, como perdoar uns aos outros. Foi realmente um sucesso espiritual”.

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