O Concílio de Constança e o Grande Cisma

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10 Novembro 2021

 

"Mas um cardeal que propõe ao papa desconsiderar as conclusões de um Sínodo, alcançadas seguindo todas as regras canônicas, prenuncia uma forma de operar que, em perspectiva, divide a Igreja romana e enfraquece a autoridade do pontífice que 'ignora' um conselho sinodal. Mesmo em seu pequeno, aquele cardeal parece lamentar os tempos do Grande Cisma do Ocidente", escreve Luigi Sandri, jornalista e escritor, em artigo publicado por L'Adige, 08-11-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

Seis séculos atrás, em novembro de 1414, iniciava-se o Concílio de Constança (Alemanha), que, em três anos de trabalhos complexos, pôs fim ao Grande Cisma do Ocidente, caracterizado pela coexistência de três papas, cada um considerando o outro antipapa; hoje essa situação parece inacreditável, mas há cardeais que, como novos antipapas, se opõem diametralmente ao pontífice reinante.

Em 1378 - os papas acabavam de regressar de Avignon - um grupo de cardeais contestou a eleição de Urbano VI e elegeu, em oposição a ele, Clemente VII: o primeiro fixou residência em Roma, o segundo regressou à França. Após sua morte, cada um dos dois teve um sucessor, e assim a coexistência de dois papados se perpetuou: o de Roma e o de Avignon. A Europa cristã ficou perplexa. Então, os cardeais das duas obediências, em 1409, decidiram convocar um Concílio em Pisa, para escolher um novo papa, Alexandre V, fazendo com que os outros dois abdicassem. Mas eles não aceitaram, e então ficaram três papas ao mesmo tempo: o de Pisa, o de Roma e o de Avignon.

O novo papa morreu quase imediatamente e foi sucedido por João XXIII (sim, 23!): ele, de acordo com o imperador Sigismundo, convocou o Concílio de Constança, que com sinal de autoridade depôs os três papas, mesmo contra a vontade deles, e em 11 de novembro de 1417 elegeu Martinho V, considerado o único pontífice legítimo por quase toda a Europa. Assim terminava o Grande Cisma do Ocidente que dilacerou a Cristandade, porque alguns países reconheceram como pontífice o de Roma, outros o de Avignon e outros o de Pisa.

Desde então, formalmente, nunca mais houve antipapas: em nossos dias, porém, há cardeais que se comportam como antipapas, contestando frontal e publicamente Francisco.

Ele quis o Sínodo sobre a Amazônia, celebrado em Roma em outubro de 2019: a Assembleia concluiu "aconselhando" o papa de permitir a ordenação presbiteral de diáconos já casados ali; uma "novidade" na Igreja latina (mas não nas Igrejas orientais católicas), porque, ao lado dos padres celibatários, também estavam previstos aqueles casados para a Amazônia - o "pulmão" do mundo mais vasto que a Europa, com tribos vivendo nas profundezas da floresta, quase inalcançáveis. Pois bem, logo que terminou a Assembleia, um cardeal europeu, numa entrevista a um jornal, propôs (e quase intimou) que Bergoglio rejeitasse como "inadmissível" aquela proposta, que no Sínodo obtivera mais de 80% do consentimento dos bispos. Uma oposição que talvez tenha levado o Papa a "esquecer", na "Querida Amazônia" - a exortação apostólica pós-sinodal de fevereiro de 2020 - aquele "conselho".

Mas um cardeal que propõe ao papa desconsiderar as conclusões de um Sínodo, alcançadas seguindo todas as regras canônicas, prenuncia uma forma de operar que, em perspectiva, divide a Igreja romana e enfraquece a autoridade do pontífice que "ignora" um conselho sinodal. Mesmo em seu pequeno, aquele cardeal parece lamentar os tempos do Grande Cisma do Ocidente.

 

 

 

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