Consistório. O papa continua a revolução contra a Cúria Romana, que ainda sofre de “bertonismo”

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01 Dezembro 2020

O sétimo Consistório de Francisco em sete anos de pontificado é certamente um dos sinais mais evidentes da revolução do Papa Bergoglio na Igreja Católica. Com efeito, os treze novos cardeais nomeados no sábado passado continuam a reduzir o peso da Cúria Romana no próximo Conclave, como assinala o jornal da CEI, Avvenire.

A reportagem é de Fabrizio D'Esposito, publicada por Il Fatto Quotidiano, 30-11-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

O que conta, é claro, é o número de cardeais eleitores que agora sobe para 128, tendo em vista a exclusão de Angelo Becciu, o ex-número dois da Secretaria de Estado expulso por Francisco por mais um sórdido caso de dinheiro e investimentos imobiliários. E entre os 128, os italianos são apenas 22, 17,2 do total, enquanto os "curiais" (no sentido mais amplo do termo entre escritórios e organismos semelhantes) são 29 no total. Mas inclusive a geografia dos italianos está mudando radicalmente, em um sentido periférico e não centralista: entre os dez "residenciais" de 22, estão os "ordinários" de Agrigento, Bolonha, L'Aquila, Perugia-Città della Pieve, Roma (o cardeal vigário) e Siena-Colle Val D'Elsa-Montalcino.

De 2013 até hoje, Bergoglio nomeou 73 cardeais eleitores, o restante deve ser dividido entre Bento XVI (39) e São João Paulo II (16). E as suas escolhas apenas confirmam os indícios que saíram das congregações gerais que se realizaram antes do Conclave de 2013, em que foi unânime a exigência de reduzir o poder da Cúria Romana. Após a clamorosa renúncia de Bento XVI, a Igreja se viu consternada e dilacerada pelas repercussões do primeiro Vatileaks, provocado pela sede de verdade do mordomo do apartamento pontifício Paolo Gabriele, falecido na semana passada.

Un Altro Papa.
Ratzinger, Le Dimissioni E Lo Scontro Con Bergoglio
Marco Ansaldo. Editor: Rizzoli. Ano de publicação: 2020
No mercado a partir de: 24 de novembro de 2020
Páginas: 155. Capa dura

Era o tempo deletério do Cardeal Tarcisio Bertone, o "primeiro-ministro" vaticano apaixonado pelo mundanismo e que representou plasticamente suas ambições terrenas em um famoso jantar na casa de Bruno Vespa, em 10 de julho de 2010, na companhia de Berlusconi, Draghi, Casini, Gianni Letta e o banqueiro Geronzi.

Também nestes últimos dias foi publicado o livro Un altro Papa de Marco Ansaldo, em que D. Georg Gänswein, histórico secretário do Papa Ratzinger, revela um detalhe decisivo sobre o clima pesado e doloroso que motivou a renúncia de Bento XVI. E diz respeito justamente a Bertone (aliás “mestre” de Becciu), considerado o objetivo principal do Vatileaks. Claro, não foi isso que determinou a escolha de Ratzinger, mas dom Georg explica que o pontífice havia sido mantido no escuro sobre a decisão de Bertone de advogar para si as relações com a política italiana quando o reinado de Ruini terminou na CEI e Bagnasco foi nomeado presidente.

Acontece que, ontem no jornal Il Tempo, foi o católico-maçônico Luigi Bisignani quem "queimou" o projeto de reforma de Francisco para a Cúria Romana, que daria mais espaço à caridade e menos à doutrina. O mesmo Bisignani, antigo “carteiro” andreottiano do escândalo das propinas Enimont no Ior, o banco do Vaticano, que foi o nexo entre Bertone e a "empresa" Letta-Geronzi. E que, como Vittorio Feltri revelou aos magistrados, teria entregado a Alessandro Sallusti em nome de Bertone o “envelope” sobre a condenação de Dino Boffo, o então diretor do Avvenire detestado pelo Secretário de Estado. Existe algo de antigo entre os inimigos de Bergoglio.

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