06 Março 2026
Após alerta do Banco Central, PF acusa altos burocratas do BC de levar propina de Vorcaro. Funcionários do BC assessoravam Master e pareciam ricos demais para o salário.
O artigo é de Vinicius Torres Freire, jornalista, publicado por Folha de S. Paulo, e reproduzido no Facebook de André Vallias, 05-03-2026.
Eis o artigo.
O Banco Master era a fachada de uma máfia comandada por Daniel Vorcaro. Qualquer autoridade da República que crie empecilhos para a investigação do Master é conivente com a máfia. No pior dos casos, é também beneficiário da organização criminosa, empregado dos mafiosos ou cúmplice.
Investigação do caso Master expõe milícia na Faria Lima https://t.co/MR1KCyX9Jt
— Bernardo Mello Franco (@BernardoMF) March 6, 2026
Segundo acaba de se saber pela Polícia Federal, Vorcaro tinha capangas para espionar e ameaçar concorrentes e jornalistas. Mandou pagar propina aos dois chefes da supervisão bancária do Banco Central, que davam assessoria para escamotear irregularidades e deram ajuda para tirar Vorcaro da prisão.
Foram flagrados, além desses motivos, porque pareciam ricos demais para o salário, segundo apurações do BC. Descobriu-se também como o Master sumiu com mais R$ 2,24 bilhões, outra vez pela Reag, grande ninho dos fundos bandidos (o rolo era só ali?).
O momento da prisão do maior doador das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Olho no lance. https://t.co/P6J1bs4B0h
— xico sá (@xicosa) March 5, 2026
Essas são as últimas. Já sabemos de mais. Mas nada se sabe ainda de concreto sobre mãos e braços políticos de Vorcaro ou sobre os motivos de sua amizade com o centrão, em particular no PP, o Progressistas, dos deputados Doutor Luizinho (RJ) e Claudio Cajado (BA) e do senador Ciro Nogueira (PI), por exemplo, e no Distrito Federal governado por Ibaneis Rocha (MDB).
O Master era uma ficção. Seus ativos eram superestimados e ilíquidos (não virariam dinheiro logo e sem custo) ou mera ficção fraudulenta, como os créditos que vendeu ao BRB.
Os ativos de fantasia falsificavam a saúde do banco e, pois, permitiam que pegasse dinheiro emprestado (como CDBs), que então escorria para empresas de fachada, laranjas, fundos de propriedade secreta, parentes de Vorcaro e sabe-se lá quais beneficiários. Quais?
O esquema contava com apoio no Congresso (no mínimo), alugava lobistas de nível ministerial e escritórios supremos de advocacia, tinha sociedades ou negócios com gente poderosa (Dias Toffoli ou Nelson Tanure) e subornava altos burocratas do BC, segundo as investigações.
No grupo de WhatsApp "A Turma", Vorcaro coordenava capangas, espiões, subornos e intimidações; de resto, tinha uma zona de confraternização de poderosos em uma casa de Trancoso (BA).
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), barram uma CPI sobre o caso ou criam dificuldades para a CPI do Crime Organizado, que tenta ser uma alternativa à CPI do Master.
Qualquer leitor de jornal sabe disso, que a máfia alugava ou comprava apoios de variada espécie e poder e, agora, que corrompia gente do BC. O acordão ainda tenta abafar o caso, apesar de investigações da PF, ora liberadas por André Mendonça, e do BC. O país, sem ação, é refém da máfia, por interpostas pessoas na cúpula da República.
Uma parte do territorio do mundo "ocidental e cristão", sob domínio de Trump, está se tornando um grande Governo de Vichy; e a extrema direita bolsonarista, uma grande Máfia Financeira, que estava formando um estado paralelo de lazer e finanças, semelhante ao esquema Epstein de… https://t.co/6F4U4YhFpK
— Tarso Genro (@tarsogenro) March 5, 2026
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central liquidou o Master. Dias depois, começou a investigar o processo inteiro que, no final das contas, permitiu a sobrevida de um banco fictício como o Master. Era uma investigação administrativa. Havia indício de mais, porém.
Belline Santana, chefe do departamento de Supervisão Bancária do BC, e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto, foram afastados dos cargos. Em janeiro, o BC passou os indícios para a Polícia Federal e avisou a CGU (Controladoria-Geral da União).
Fatos de antes: a "grande imprensa", na sua ampla maioria, apoiou e estimulou todas as irregularidades e ilegalidades que foram cometidas contra Lula, contra Dilma e contra o PT, todas hoje reconhecidas pelas pessoas de bom senso, como movimentos políticos que visavam bloquear… https://t.co/zGXGGGN8SR
— Tarso Genro (@tarsogenro) March 5, 2026
Souza foi diretor de Fiscalização do BC, de 2017 a 2023 — assim também votava nas decisões do Copom sobre juros. É gravíssimo. Quando se puxa uma pena, não vem uma galinha, vem um avestruz. O que mais, onde? Apenas a delação de Vorcaro vai resolver?
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