05 Março 2026
“A África não pode se dar ao luxo de mais um século de desapropriação disfarçada de desenvolvimento. Nossas histórias, nossa terra e nossa dignidade devem guiar o futuro da mineração”, desafiou o presidente da Missão de Mineração e Agricultores (AMI), Eric Mokuoa.
A informação é de Edelberto Behs.
A declaração final do encontro classificou o desapossamento não como uma memória histórica, mas como uma condição presente – “uma realidade vivida continuamente, que perturba meios de subsistência, ancestralidade, memórias e dignidade”.
O evento reuniu na Cidade do Cabo, de 9 a 11 de fevereiro, representantes das comunidades afetadas pela mineração, líderes religiosos, organizações da sociedade civil, que enfatizaram que a riqueza mineral do continente deve servir às pessoas antes do lucro.
“Justiça é uma questão de fé”, declarou o diretor do Programa Igreja, Paz e Sociedades Justas, do Conselho de Igrejas do Zimbábue, Admire Mutizwa. “Enquanto as empresas de mineração aumentam seus lucros, as comunidades nas áreas de mineração arcam com custos muito maiores”, afirmou.
Representantes das comunidades descreveram os custos da mineração: remoções forçadas sem compensação adequada, cemitérios perturbados, sítios ancestrais apagados, rios e terra agrícolas danificados.
A transição para uma economia de carbono zero aumentou a demanda por terras raras e outros minerais, impulsionando ainda mais a mineração. As atividades de mineração contribuem para as emissões de gases de efeito estufa, lembrou a diretora da Comissão de Justiça Climática e Desenvolvimento Sustentável do Conselho Mundial de Igrejas, Athena Peralta.
O tema do encontro versou sobre “Histórias Alternativas da Mineração – Unidos em Solidariedade com as Comunidades Afetadas pela Mineração em Todo o Continente”. A referência final da declaração da AMI foi ancorada no Salmo 24,1: “Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe.”
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