Leão XIV na Quarta-feira de Cinzas: "O mundo está em chamas; o direito internacional está em cinzas hoje"

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19 Fevereiro 2026

Primeira visita de Prevost ao Monte Aventino para dar início à Quaresma. "Sentimos o peso de cidades inteiras destruídas pela guerra." Ontem, Parolin disse que a Santa Sé não participará da reunião de paz de Trump.

A informação é de Iacopo Scaramuzzi, publicado por La Repubblica, 18-01-2026.

O Papa Leão XIV traçou um paralelo entre as cinzas que os cristãos recebem sobre suas cabeças hoje, na Quarta-feira de Cinzas, e "as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da harmonia entre as pessoas". Ontem, o Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin anunciou que a Santa Sé não participará do Conselho de Paz de Donald Trump.

Esta tarde, pela primeira vez desde o seu pontificado, Roberto Francisco Prévost subiu ao Monte Aventino, em Roma, para a celebração que os Papas presidem no dia que marca o início da Quaresma. Em meio às primeiras flores do final do inverno romano, o Pontífice participou da tradicional procissão da Igreja de Santo Anselmo até a Basílica de Santa Sabina, onde celebrou a Missa com o rito da bênção e a imposição das cinzas.

Cidades desintegradas pela guerra

Em sua homilia, Leão XIV recordou a "apologia das cinzas" evocada por Paulo VI para descrever o "pessimismo fundamental" da época, na mesma ocasião, sessenta anos atrás. Em seguida, atualizou essas palavras: "Hoje", disse ele, "podemos reconhecer a profecia contida nessas palavras e sentir nas cinzas que nos são impostas o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras desintegradas pela guerra: as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da harmonia entre os povos, as cinzas do pensamento crítico e da sabedoria ancestral local, as cinzas daquele senso do sagrado que habita em cada criatura."

Manifestações não nacionalistas

A Quaresma, ainda hoje, "é um tempo poderoso de comunidade", observou o Papa: "Sabemos como é cada vez mais difícil reunir as pessoas e sentir-se como um povo, não de uma forma nacionalista e agressiva, mas em comunhão onde cada um encontra o seu lugar. De fato, aqui está se formando um povo que reconhece os seus próprios pecados", com uma "atitude contrária", que, "quando é tão natural declararmo-nos impotentes diante de um mundo em chamas, constitui uma alternativa real, honesta e atraente".

Adultos que se arrependem

"Como é raro", continuou o Papa, "encontrar adultos que se arrependem, pessoas, empresas e instituições que admitem seus erros! Hoje, essa é precisamente a possibilidade entre nós. E não é coincidência que muitos jovens, mesmo em contextos secularizados", disse o Pontífice nascido em Chicago, "sintam o chamado deste dia, Quarta-feira de Cinzas, mais do que no passado." A Quaresma, disse Leão XIV, "de fato nos impele a essas mudanças de rumo — conversões — que tornam nossa mensagem mais crível." E "reconhecer nossos pecados para nos convertermos já é um prenúncio e um testemunho da ressurreição: significa não parar entre as cinzas, mas levantar e reconstruir."

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