327 organizações e igrejas da América Latina, Caribe e Europa expressam solidariedade ao povo venezuelano

Foto: Aerra Carnicom/Wikimedia Commons

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07 Janeiro 2026

A declaração, emitida por um grande número de organizações, igrejas e comunidades eclesiais da América Latina, Caribe, Europa e Estados Unidos, constitui um dos pronunciamentos eclesiais mais abrangentes e transversais sobre a situação venezuelana nos últimos anos.

A reportagem é de Aníbal Pastor, publicada por Religión Digital, 06-01-2026.

Além do conteúdo do texto, o fato central é o seu alcance: 327 organizações eclesiais, ecumênicas e sociais subscrevem uma declaração que expressa a persistência de um tecido latino-americano de fé, direitos humanos e compromisso com a paz.

Sem alarde ou slogans bombásticos, uma ampla e diversa coalizão eclesial, ecumênica e social emitiu uma declaração de solidariedade ao povo da Venezuela em 5 de janeiro, em defesa de sua soberania e do direito internacional. O aspecto central da declaração reside não apenas em seu conteúdo, mas também em sua dimensão coletiva: 327 organizações, comunidades, igrejas, grupos pastorais, congregações religiosas, movimentos leigos e espaços ecumênicos endossaram o texto em diversos países da América Latina e do Caribe, com apoio também da Europa e dos Estados Unidos.

Este endosso é incomum devido ao seu amplo alcance territorial, diversidade institucional e pluralismo eclesial. Entre os signatários estão comissões nacionais de Justiça e Paz, redes eclesiais continentais, ministérios sociais diocesanos, congregações religiosas de homens e mulheres, comunidades paroquiais, movimentos ecumênicos, organizações de direitos humanos de inspiração cristã, centros acadêmicos e programas de formação teológica, bem como grupos sociais e culturais historicamente ligados à defesa da dignidade humana.

A lista — que se estende por sete páginas — inclui organizações de pelo menos 18 países, entre eles Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Equador, México, Honduras, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Costa Rica, Guatemala, Espanha, Itália, Bélgica e Estados Unidos. Esse alcance geográfico reforça a natureza não local e não circunstancial da declaração, posicionando-a, em vez disso, como uma expressão regional de consciência ética e eclesial compartilhada.

De uma perspectiva eclesial, o documento é significativo devido à convergência entre a Igreja Católica, os espaços ecumênicos e as comunidades de outras tradições religiosas, juntamente com redes historicamente ligadas à Doutrina Social da Igreja, como a Comissão Justiça e Paz e as pastorais para a terra, o trabalho, os povos indígenas, os migrantes e os direitos humanos. Essa convergência não se baseia em um slogan político, mas sim em princípios amplamente reconhecidos: a soberania dos povos, a proteção da população civil, a rejeição da violência e a primazia do direito internacional.

O texto incorpora explicitamente ensinamentos recentes, enfatizando que a paz só pode ser construída onde a verdade, a justiça e a misericórdia convergem, e alerta contra a espiral da violência como um beco sem saída. Dentro dessa estrutura, a declaração é apresentada menos como um ato isolado de denúncia e mais como um ato de responsabilidade ética coletiva, abraçado por meio de diversas expressões de fé e compromisso social.

Em tempos marcados pela fragmentação, polarização e superexposição retórica, o valor desta declaração reside precisamente na sua densidade silenciosa: ela não fala de uma única voz ou de uma única instituição, mas de centenas de comunidades e organizações que, de origens diversas, convergem para um ponto essencial. A magnitude do apoio — mais de 300 assinaturas — não busca evocar impacto emocional, mas sim nos desafiar com ações concretas: existe um tecido eclesial e social latino-americano vibrante e interconectado, atento aos conflitos que afetam os povos da região.

Mais do que uma simples constatação dos acontecimentos atuais, o documento revela uma capacidade de coordenação continental que se mantém ativa, mesmo em contextos de retrocesso institucional e crise de credibilidade. Nesse sentido, sua importância reside não apenas no que diz, mas também em quantas pessoas o dizem e a partir de quais perspectivas.

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