05 Janeiro 2026
Hugo Armando Carvajal, ex-chefe da inteligência militar, colaborou na prisão e será uma testemunha-chave da acusação.
A reportagem é de Enrico Franceschini, publicado por La Repubblica, 05-11-2025.
As acusações de Donald Trump sobre o envolvimento de Nicolás Maduro com o narcotráfico foram recebidas com ceticismo na Europa e nos Estados Unidos, inclusive dentro do Partido Democrata e em setores do movimento MAGA, sendo consideradas um exagero, uma desculpa para justificar o ataque a Caracas que levou à captura do presidente venezuelano. Mas o processo legal contra Maduro e sua esposa, capturada com ele na operação da Força Delta, parece "muito mais sólido" do que acreditam os críticos da Casa Branca, afirma a Newsweek, argumentando que os investigadores podem ter "uma testemunha-chave" no julgamento contra o ex-líder venezuelano: segundo a revista semanal americana, trata-se de Hugo Armando Carvajal Barrios, ex-chefe da inteligência militar venezuelana, que posteriormente rompeu com Maduro e encontrou refúgio na Espanha, onde foi preso e extraditado para os EUA. Acusado de narcotráfico, Carvajal se declarou culpado em junho passado de crimes que acarretam penas de prisão perpétua, semelhantes às que agora são imputadas ao próprio Maduro, e um acordo de delação premiada foi anunciado entre o réu e o promotor.
A sentença contra ele, no entanto, ainda não foi proferida: antes de decidir seu destino, os juízes de Nova York, onde o ex-presidente venezuelano será formalmente indiciado esta manhã, estariam planejando que ele testemunhe contra Maduro, escreve a Newsweek. Esse acordo de delação premiada é um clássico em julgamentos contra mafiosos ou narcotraficantes, já utilizado há 35 anos, quando os Estados Unidos capturaram o ditador Manuel Noriega no Panamá e o transportaram para a Flórida, condenando-o a quarenta anos de prisão por narcotráfico, graças em parte ao testemunho de seus antigos cúmplices, em troca de uma redução de pena. De fato, Carvajal é mencionado nas acusações já divulgadas contra Maduro. Sua confissão de culpa e o adiamento da sentença sugerem um acordo entre ele e os magistrados: o adiamento da sentença de um cúmplice após um acordo de delação premiada geralmente é "um sinal claro" de que ele está se preparando para testemunhar em outro julgamento, comenta Elie Honig, ex-procurador assistente dos EUA.
O ex-chefe da inteligência certamente sabe muito sobre o homem que, até dois dias atrás, era o presidente da Venezuela. Apelidado de "o Galo", Carvajal era um dos líderes do Cartel Los Soles, a gangue de Caracas acusada de tráfico de drogas em conluio com os militares venezuelanos. Ele era um aliado próximo de Hugo Chávez, tendo ajudado a organizar o golpe fracassado de 1992. Quando Chávez assumiu o poder nas eleições de 1998, Carvajal tornou-se seu braço direito, função que manteve sob o governo de seu sucessor, Maduro. Mas, em 2019, diante do colapso da economia, ele se aliou à oposição. Acusado de traição, Maduro o depôs, e ele fugiu para a Espanha. Não se descarta a possibilidade de que ele também tenha fornecido aos EUA informações sobre o estilo de vida do presidente venezuelano, ajudando a CIA a localizá-lo e a Força Delta a capturá-lo na dramática operação de sábado à noite.
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