Do 'não' ao documento Fiducia Supplicans a uma pastoral com católicos polígamos: as contradições da Igreja africana no Sínodo

Foto: Cathopic

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07 Outubro 2024

  • “Há pessoas que aceitaram a fé cristã em situação de poligamia, mas também há batizados que vivem em poligamia depois da sua conversão”, sublinhou Ambongo, que se questionou “que forma de pastoral é mais adequada para acompanhar as pessoas em situação poligâmica?"
  • Foram também abordados outros temas, desde o papel da mulher e a hipótese do diaconato feminino, o risco de desaparecimento das Igrejas Orientais devido à guerra, o anúncio do Evangelho no mundo digital, a relação entre bispos e padres e com o povo de Deus, os critérios para a escolha dos candidatos ao episcopado, a perspectiva sinodal do trabalho dos núncios ou o diálogo ecumênico.

A reportagem é de Jesus Bastante, publicada por Religión Digital, 04-10-2024.

Quando, no ano passado, foi aprovada a declaração Fiducia Supplicans, que permitia bênçãos pastorais às uniões de fato ou às pessoas homossexuais que viviam em casal, boa parte da Igreja africana, liderada pelo cardeal-arcebispo de Kinshasa,  Dom Fridolin Ambongo, assumiu uma posição radical contra, conseguindo que o Papa concedesse liberdade aos pastores do continente para decidir se aplicam ou não a referida norma. Agora, em pleno Sínodo, o próprio Ambongo surpreendeu ao levantar uma questão que poderia parecer quase contraditória: uma pastoral para os católicos polígamos.

Durante a primeira congregação, o cardeal, membro do C9, abordou a difícil questão, “um verdadeiro desafio pastoral”. “Há pessoas que aceitaram a fé cristã em situação de poligamia, mas também há batizados que vivem em poligamia depois da sua conversão”, frisou Ambongo, que se questionou “que forma de pastoral é mais adequada para acompanhar as pessoas em situação poligâmica”.

Grupos sinodais

Uma questão que já foi abordada no Conselho Episcopal Pan-Africano, que desenvolveu um plano de quatro etapas para explorar as diferentes formas como este fenômeno é vivido em África, as suas motivações e qual o ensino e o acompanhamento pastoral mais conveniente para os católicos polígamos. Em qualquer caso, como afirmou Ambongo, “são necessárias mais pesquisas e consultas” antes que uma diretriz possa ser proposta em nível de toda a Igreja. Em 2025, será criada uma comissão da qual participará também o Dicastério para a Doutrina da Fé.

A par deste tema, foram também abordados outros temas, desde o papel da mulher e a hipótese do diaconato feminino, o risco de desaparecimento das Igrejas Orientais devido à guerra, o anúncio do Evangelho no mundo digital, a relação entre os bispos e sacerdotes e com o povo de Deus, os critérios de seleção dos candidatos ao episcopado, uma perspectiva sinodal sobre o trabalho dos núncios, ou o diálogo ecumênico.

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