Bolsonaro, um libertário em causa própria. Artigo de Alvaro Costa e Silva

Bolsonaro (Foto: Antônio Cruz | Agência Brasil)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

30 Abril 2024

"Mais do que nas ruas ou nas redes — estas sujeitas à manipulação de robôs —, a força concreta do bolsonarismo reside nas entranhas do Legislativo. Disposto a garantir sua sucessão na presidência da Câmara, Arthur Lira usa o cronograma da reforma tributária como barganha e guarda na cartola coelhos em formato de comissões parlamentares de inquérito. Em caso de qualquer contrariedade, está aberto o espaço para a oposição", escreve Alvaro Costa e Silva, repórter, editor e autor de "Dicionário Amoroso do Rio de Janeiro", em artigo publicado por Folha de S. Paulo e reproduzido por André Vallias, em sua página no Facebook, 26-04-2024.

Eis o artigo.

O ato com público decepcionante em Copacabana não pode servir de parâmetro, não significa que a fé cega em Bolsonaro —professada tanto por quem mora longe como perto da praia — esteja perdendo o gás. Recente pesquisa mostra que o prefeito Eduardo Paes, candidato à reeleição, tem 42% das intenções de voto, enquanto Alexandre Ramagem, do PL, já aparece com 31%.

Além de atrapalhar o lazer dos banhistas, a manifestação funcionou como culto religioso dominical, com citações do Velho Testamento, ataques ao Supremo, elogios à testosterona e acenos em inglês à extrema direita transnacional. Inelegível e enroladíssimo na Justiça, Bolsonaro, quem diria, não mais defende a ditadura ou o golpe de Estado, inventou uma democracia sui generis para tentar safar-se da cadeia. Um libertário em causa própria.

Mais do que nas ruas ou nas redes — estas sujeitas à manipulação de robôs —, a força concreta do bolsonarismo reside nas entranhas do Legislativo. Disposto a garantir sua sucessão na presidência da Câmara, Arthur Lira usa o cronograma da reforma tributária como barganha e guarda na cartola coelhos em formato de comissões parlamentares de inquérito. Em caso de qualquer contrariedade, está aberto o espaço para a oposição.

A mais suculenta das CPIs investigaria um suposto abuso de autoridade no STF (leia-se ministro Alexandre de Moraes). Mal formulou a ideia, Lira desistiu, e não porque Moraes o procurou para conversar, mas porque lhe sopraram a inconstitucionalidade da comissão.

De onde Lula não esperava, veio a maior facada, a pauta-bomba. De olho na eleição a governador de Minas em 2026, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, insiste na PEC do Quinquênio, que prevê um aumento automático de 5% a juízes e promotores —penduricalho aviltante para a maioria dos trabalhadores— e poderá ter um impacto de dezenas de bilhões nos cofres públicos.

Leia mais