25 Agosto 2026
A temperatura média diária global da superfície do mar atingiu o nível mais alto já registrado. Em 22 de agosto, chegou a 21,1°C, superando todos os valores anteriores, segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus.
A reportagem é de Antonio Martínez Ron, publicada por El Diario, 24-08-2026.
Os oceanos do mundo estão aquecendo a uma taxa alarmante como consequência da crise climática e impulsionados pelo fenômeno El Niño, que este ano atingiu níveis sem precedentes. De acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), a temperatura da superfície do mar chegou a 21,1°C em 22 de agosto, superando o recorde anterior de 21,09°C estabelecido em março de 2014.
O Observatório Copernicus destaca que as temperaturas globais dos oceanos normalmente atingem o pico em março e abril, após o verão do Hemisfério Sul, mas desta vez atingiram o pico em agosto. O novo valor supera o recorde anterior para este mês, que foi de 20,98°C em 2023. Este valor soma-se a uma série de recordes mensais de temperatura da superfície do mar observados ao longo de 2026, sublinhando o aquecimento persistente observado em grande parte do oceano global.
Grande parte da culpa recai sobre um forte fenômeno El Niño que se desenvolve no Pacífico tropical, intensificando o aquecimento de um oceano que já vem se aquecendo há décadas como consequência das mudanças climáticas antropogênicas. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), espera-se que o El Niño se fortaleça nos próximos meses, enquanto o sistema de previsão sazonal Copernicus sugere que ele poderá atingir níveis não vistos em décadas.
Valores nunca antes vistos.
“Este recorde é mais um sinal claro de que o oceano está sob pressão crescente”, afirma Samantha Burgess, Gerente de Estratégia Climática do ECMWF. O El Niño está adicionando calor ao sistema, mas isso se soma a décadas de aquecimento causado pela atividade humana, explica ela. “As consequências já são visíveis: o número de dias com ondas de calor marinhas em todo o mundo mais que triplicou desde o início da década de 1990, exercendo uma pressão cada vez maior sobre os ecossistemas marinhos e as comunidades que dependem deles.”
“Desde o final de junho, temos registrado valores nunca antes vistos para esta época do ano”, afirma Isabel Moreno, meteorologista e divulgadora científica. “Mas este não é apenas um recorde diário. Este valor representa a temperatura mais alta já registrada nos mares e oceanos, impulsionada por um fenômeno El Niño que ainda não se desenvolveu completamente.” Ela ressalta que o banco de dados Copernicus data de 1979, portanto “certamente nenhum ser humano vivo hoje (ou seus ancestrais) jamais testemunhou algo assim”.
Moreno nos lembra que os oceanos não são apenas essenciais para o clima da Terra, mas também dependemos deles para uma infinidade de atividades. O aumento da temperatura oceânica a longo prazo tem consequências de longo alcance para as comunidades e os ecossistemas. Um oceano mais quente contribui para a elevação do nível do mar devido à expansão térmica, aumentando os riscos para as comunidades costeiras e as nações insulares de baixa altitude. Temperaturas mais altas também aumentam a probabilidade e a intensidade das ondas de calor marinhas, que podem danificar ecossistemas importantes, como recifes de coral e pradarias marinhas, perturbando, por sua vez, as cadeias alimentares marinhas e indústrias como a pesca e a aquicultura.
Fenômenos mais extremos
O aumento da temperatura dos oceanos também eleva o potencial para eventos climáticos extremos. Um oceano mais quente transfere mais calor e umidade para a atmosfera, o que pode intensificar as chuvas e alguns sistemas de tempestades. Além disso, um oceano mais quente torna-se menos eficiente na absorção de dióxido de carbono da atmosfera, o que pode enfraquecer uma das mais importantes barreiras naturais do planeta contra as mudanças climáticas.
A temperatura do Mar Mediterrâneo também atingiu um recorde histórico neste verão de 2026, registrando 33,02 °C na bóia próxima à Ilha Dragonera, em Maiorca. Essa medição representa o recorde nacional absoluto de temperatura da água do mar na Espanha desde o início dos registros.
A bacia do Mediterrâneo é considerada por muitos cientistas como um dos "pontos críticos" climáticos do planeta , ou seja, uma região onde os efeitos das mudanças climáticas são mais intensos. Um mar mais quente leva a uma maior evaporação e, portanto, a uma atmosfera mais úmida, um ingrediente fundamental para a formação de chuvas torrenciais.
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