México encara a tensão comercial entre os Estados Unidos e o Canadá com incerteza

Foto: Reprodução/Canva

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25 Agosto 2026

O país latino-americano negocia seus termos tarifários enquanto navega pelo futuro incerto do USMCA.

A reportagem é de Sonia Corona, publicada por El País, 25-08-2026.

Os parceiros do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (USMCA) estão em crise. Os Estados Unidos e o Canadá intensificaram sua guerra comercial nos últimos dias, impondo tarifas recíprocas e lançando incertezas sobre as negociações relativas ao futuro do acordo que compartilham com o México. O país latino-americano não participa das complexas negociações, mas permanece apreensivo sobre como a tensão entre Washington e Ottawa pode afetar suas próprias negociações com o governo Trump e, em última instância, o impacto econômico da disputa do presidente republicano com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, evitou comentar detalhadamente a ruptura entre os Estados Unidos e o Canadá, mas enviou o secretário de Economia, Marcelo Ebrard, a Washington em caráter de urgência. "Estou otimista de que um acordo possa ser alcançado", declarou a presidente em sua coletiva de imprensa de segunda-feira.

A missão de Ebrard é avaliar o clima dentro da equipe de Trump, mas também garantir um novo acordo sobre as tarifas que o governo dos EUA mantém sobre produtos mexicanos: 50% sobre aço e alumínio e 25% sobre automóveis e autopeças. "Estamos trabalhando há mais de um ano para ver como essas tarifas podem ser reduzidas", afirmou o presidente. Esse era o mesmo objetivo da equipe de negociação canadense na semana passada, que se mostrou contraproducente, resultando em tarifas mais agressivas e, por ora, no congelamento das negociações entre Washington e Ottawa.

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Desde o início de 2026, o governo Trump havia iniciado conversas preliminares com o México para avaliar o futuro do USMCA, antes do prazo de 1º de julho para sua renovação. Em junho, México e Estados Unidos iniciaram uma série de negociações bilaterais para discutir os pontos do acordo comercial que buscavam modificar. O Canadá anunciou que realizaria suas próprias conversas com os Estados Unidos em uma data posterior. Por fim, o escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou no último minuto que não estenderia o tratado e que realizaria revisões anuais de seu conteúdo com seus parceiros. Ebrard comentou na época que Washington tinha uma lista de 14 questões para revisar com a Cidade do México e que as rodadas de negociação continuariam.

O governo Trump priorizou as negociações bilaterais, argumentando que as questões de interesse do Canadá e do México não são necessariamente as mesmas. Além disso, evitou marcar uma data para uma possível reunião trilateral. O México agendou a próxima rodada de negociações para setembro, em Washington, D.C. Segundo alguns analistas, o México se beneficiou mais dessas reuniões por ser mais consistente e por não se limitar tanto às questões comerciais quanto ao atendimento das solicitações dos EUA em outros assuntos. “O México construiu uma sólida reputação em diversas frentes, como segurança, imigração, narcotráfico e imposição de limites a políticos com supostos vínculos com organizações criminosas, o que pode ajudá-lo a superar essa difícil fase das negociações”, observa uma análise do Bradesco.

A aliança que Sheinbaum e Carney forjaram há um ano para avançar com o acordo comercial USMCA não parece ter sofrido com a deterioração das relações entre o Canadá e os Estados Unidos. O primeiro-ministro canadense telefonou para o presidente mexicano na véspera da conclusão de suas negociações com Washington. “Eles ressaltaram a importância de renovar o Acordo Canadá-Estados Unidos-México o mais rápido possível para proporcionar maior segurança às empresas e aos trabalhadores americanos”, publicou o gabinete do primeiro-ministro na noite de quinta-feira sobre a ligação, sem especificar se a disputa comercial entre Canadá e EUA fez parte da conversa. Ao longo do ano, Canadá e México evitaram interferir nos esforços um do outro para avançar com o USMCA. No entanto, Ottawa tem suportado o peso da pressão de Trump, que atacou diretamente o país e seus líderes. “O Canadá vem explorando os Estados Unidos há anos”, foi seu insulto mais recente.

Sheinbaum, por outro lado, manteve inúmeras conversas telefônicas com o republicano, que não fez nada além de elogiá-la e conceder-lhe algumas concessões. O progresso do México nas negociações não parece ter prejudicado o relacionamento com o Canadá. "O México tem sido um parceiro confiável durante todo o processo e provavelmente defenderá o Canadá se a oportunidade surgir, mas é improvável que se torne um mártir por sua causa", acrescenta a análise do Bradesco. A rodada de negociações de setembro e as negociações sobre tarifas setoriais nos próximos dias fornecerão evidências do impacto que a tensão entre os dois parceiros do norte terá no futuro do USMCA. "Temos uma posição muito boa porque, se fizermos a média de todas as nossas exportações, temos algumas das tarifas mais baixas do mundo. Conseguimos isso graças à comunicação, à negociação e ao trabalho colaborativo da equipe que tem ido aos Estados Unidos", afirmou Sheinbaum.

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