Missão e traição. Breve reflexão para cristãos ou não. Comentário de Chico Alencar

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23 Agosto 2026

"Jesus quer todo(a)s na tarefa dessa construção amorosa - de si mesmo e da sociedade. Fala da pedra (Pedro) sobre a qual quer assentar sua pequena igreja. Não a do poder. Ele opõe sempre o "Reino do Céu", da comum-união fraterna, ao Império romano dos Césares. Quer aquela, pé no chão, solidária, sobre a qual "as forças da morte não prevalecerão", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, ao comentar o Evangelho desse domingo.

Eis o texto.

"Quem dizem que é o Filho do Homem? E para vocês, quem sou?".

Humaníssimo, Jesus indaga aos seus discípulos sobre como é visto pelos outros e por eles. É mais que a nossa curiosidade, entre vaidosa e insegura, sobre o que pensam da gente.

Diz o querido papa Francisco (1936-2025): "Essa pergunta é dirigida também a nós hoje. Uma resposta pronta, a partir do que os outros ensinaram, não basta; ela não pode ser teórica: deve brotar da fé, isto é, da vida, porque fé é vida!".

Em Mateus 16, 13-20, trecho lido nesse domingo em milhares de comunidades de fé, Jesus, logo após fazer essa indagação, trata da missão de cada um de nós nessa vida.

Ser é sempre ser-com-os-outros. O poetinha Vinicius de Moraes (1913-1980) alertou: "Quem de dentro de si não sai/vai morrer sem amar ninguém".

 

Forças da morte: do dinheiro ("vocês transformaram minha casa de oração num covil de ladrões!" - Mt, 21, 13), dos projetos "eclesiásticos" de domínio político (há "igrejas" hj fazendo "vigílias" de memorização de números de candidatos, tratando seus fiéis como "rebanho"), do egoísmo em larga escala ("prosperidade" individual).

A chave que Pedro - e cada um(a) de nós - recebe é para abrir as portas do acolhimento, da justiça, da ternura, da prece compartilhada, da não violência ativa por um mundo melhor.

Do "teste do pescoço", para que saibamos enxergar quem está ao nosso lado, e não ficar olhando o próprio umbigo, buscando nossa salvação pessoal.

Estamos usando essa chave vital? Que portas estamos abrindo na nossa caminhada terrena? Quais estamos fechando? Temos sabido encontrar, compartilhar e multiplicar pedacinhos do Céu na Terra?

Qual igreja, de qual Jesus, nos faz prosseguir na busca de sentido, da verdade e da vida?