Qusra, uma família palestina mantida em cativeiro por colonos

Foto: Vatican Media

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12 Agosto 2026

Nos últimos seis meses, eles chegaram várias vezes, armados, ameaçando sua família e sua propriedade. Mas, há dois dias, colonos israelenses o mantêm trancado dentro de casa, junto com sua esposa e suas duas filhas, de dois e quatro anos. Cortaram a eletricidade, bloquearam o acesso e montaram uma tenda bem em frente à sua casa. Desde domingo, Youssef Hassan os vê, armados com pistolas e fuzis militares, inspecionando a propriedade, tentando abrir os portões, cortando canos e cabos elétricos. Debaixo da tenda, montaram um sofá, uma mesa e algumas cadeiras. E permanecem lá, impedindo a entrada ou saída de qualquer pessoa.

A reportagem é de Eliana Riva, publicada por il manifesto, 11-08-2026.

Qusra, a vila na Cisjordânia ocupada, ao sul de Nablus, está bem ciente dessa violência, causada pela presença de vários assentamentos ilegais. No final de fevereiro, cerca de quinze colonos armados com porretes atacaram palestinos e ativistas. Em 13 de março, outro grupo espancou um palestino que já estava no chão, na frente de seus filhos. Quarenta e oito horas depois, Ameer Motasem Odeh, de 25 anos, foi morto a tiros. Youssef Hassan contou a Nurit Yohanan, jornalista do Times of Israel, que no domingo, poucas horas após o início do cerco, os soldados chegaram. Primeiro, sentaram-se ao redor da mesa sob a tenda dos colonos e depois rezaram com eles. Vídeos os mostram juntos, colonos e soldados, um deles usando balaclava e carregando um fuzil de assalto. Horas depois da divulgação dos vídeos, o exército declarou que abriria uma investigação.

Mas não muito longe de Qusra, no mês passado, uma situação muito semelhante terminou com a ocupação de uma casa palestina por colonos israelenses. Em Jalud, a casa de Mahmoud Al Tobasi e sua família ficou sitiada por duas semanas. Apesar dos pedidos de intervenção, a presença de soldados israelenses, desta vez também, foi completamente inútil. Os colonos atacavam qualquer um que tentasse levar suprimentos. Durante dias, a família Al Tobasi teve que racionar água e comida, mas quando os israelenses cortaram os cabos de eletricidade, eles não tiveram escolha a não ser abandonar sua casa. Imediatamente depois, invadiram e ocuparam a casa sob o olhar dos soldados. Era 22 de julho e, até hoje, eles ainda estão lá.

O governo de Tel Aviv registra a violência dos colonos na Cisjordânia ocupada apenas nos casos que considera mais graves. E, de acordo com seus dados, o que chama de "crimes nacionalistas" aumentaram 63% nos primeiros seis meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado: de 405 para 660. As Nações Unidas e organizações internacionais falam de números bem diferentes.

Segundo o último relatório da agência humanitária da ONU, OCHA, publicado em 31 de julho, desde o início de 2026, foram documentados mais de 1.380 ataques violentos ligados a colonos, uma média de 6,6 por dia, afetando mais de 250 comunidades. Pelo menos 18 palestinos foram mortos, cerca de 900 ficaram feridos e mais de 2.300 foram forçados a fugir de suas casas. Ontem, a vila cristã de Taybeh, também sob ataque de colonos, foi declarada "zona militar fechada" pelo exército. A justificativa oficial de Tel Aviv é o desejo de proteger seus habitantes cristãos dos constantes ataques de colonos israelenses.

Mas eles permanecem na Cisjordânia palestina, protegidos e financiados pelo governo, apesar de serem ilegais sob o direito internacional. Enquanto isso, os moradores de Taybeh estão presos em um cerco que os isola do mundo.

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