Operação investiga grupo que planejava ataques eleitorais

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06 Agosto 2026

Mandados foram cumpridos em cinco estados, incluindo o RS, em Canoas; suspeitos discutiam explosivos, ataques a prédios públicos e ações violentas.

A informação é publicada por Extra Classe, 05-08-2026.

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e de polícias civis de cinco estados, apura a atuação de um grupo suspeito de planejar ações violentas durante o período eleitoral de 2026. A Operação Rede Interrompida cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Segundo os investigadores, os suspeitos utilizavam grupos em aplicativos de mensagens e outros ambientes digitais para discutir a invasão de prédios públicos, selecionar possíveis alvos, recrutar participantes em diferentes estados e compartilhar manuais para fabricação de explosivos. Durante as apurações, também foram encontrados mapas, plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de edifícios públicos localizados na área central de Brasília.

A investigação ganhou novos contornos após a confirmação de que um dos planos discutidos pelo grupo incluía a possibilidade de instalar explosivos no local de realização de um debate entre candidatos à Presidência da República durante a campanha eleitoral. A informação foi divulgada pela CNN Brasil e confirmada por veículos nacionais.

Embora o inquérito seja conduzido pela polícia do Distrito Federal, a operação teve abrangência nacional. No Rio Grande do Sul, um mandado foi cumprido em Canoas. Equipamentos eletrônicos e outros materiais recolhidos serão periciados para verificar o grau de organização do grupo e identificar eventuais conexões com outros investigados. O alvo gaúcho não foi preso.

As investigações tiveram origem em um relatório produzido pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Secretaria Nacional de Segurança Pública, órgão vinculado ao Ministério da Justiça. A partir desse material, a Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento da PCDF passou a monitorar as comunicações do grupo e a reunir elementos que embasaram os pedidos de busca e apreensão.

Até o momento, a investigação apura, em tese, crimes como associação criminosa, incitação ao crime, apologia ao crime e outras infrações previstas na legislação penal. As autoridades informaram que a responsabilização dos investigados dependerá da análise do material apreendido e do avanço das diligências.

Mandado foi cumprido em Canoas

No Rio Grande do Sul, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Canoas cumpriu o mandado no bairro Rio Branco na residência de um homem de 23 anos, desempregado e sem antecedentes criminais. Foram apreendidos alguns objetos e eletrônicos, que serão analisados pela equipe da Polícia Civil do Distrito Federal. Não houve prisão.

Segundo a investigação, o jovem integra o grupo suspeito de utilizar plataformas digitais para discutir ações violentas durante o período eleitoral, compartilhar conteúdos extremistas e trocar informações sobre possíveis ataques a prédios públicos. Equipamentos eletrônicos e outros materiais foram apreendidos para perícia.

Até o momento, as autoridades não divulgaram a identidade do investigado nem informaram se ele exercia alguma função de liderança no grupo. Também não houve prisão durante a ação no Rio Grande do Sul.

A operação foi realizada de forma simultânea em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Distrito Federal, sob coordenação da Polícia Civil do Distrito Federal, com apoio das polícias civis estaduais, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Prevenção antes do período eleitoral

A operação ocorre em um contexto de reforço das ações de inteligência voltadas ao enfrentamento do extremismo violento e da violência política. Após os ataques às sedes dos Três Poderes, em janeiro de 2023, órgãos de segurança passaram a ampliar o monitoramento de grupos radicalizados que utilizam plataformas digitais para recrutamento, disseminação de discursos de ódio e planejamento de ações criminosas.

Nesse cenário, a Operação Rede Interrompida representa uma atuação preventiva. Em vez de responder a um atentado consumado, as autoridades buscam interromper o planejamento de possíveis ações antes do início mais intenso da campanha eleitoral, preservando provas digitais e identificando a extensão da articulação entre os investigados.

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