Lula consolida vantagem sobre Flávio Bolsonaro, mas enfrenta desafio com jovens e classe média, diz cientista político

Foto: Ricardo Stuckert / PR

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18 Julho 2026

Benedito Tadeu César aponta estabilidade no cenário eleitoral e destaca desidratação de candidatura da extrema direita.

A reportagem é de Lucas Krupacz e Maria Teresa Cruz, publicado por Brasil de Fato, 16-07-2026.

A pesquisa de intenção de voto da Quaest, divulgada esta semana, mostra recuperação no índice de aprovação do governo Lula e vantagem de oito pontos do presidente e candidato à reeleição sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Benedito Tadeu César, mestre em antropologia social e doutor em ciências sociais, avalia que o resultado confirma o que as últimas pesquisas indicavam, ou seja, uma estabilização do cenário eleitoral. “Existe uma tendência que se consolida de um afastamento de Lula em relação a Flávio, deixando o cenário, nesse momento, fora do empate técnico. O Flávio chegou a um teto, mas me parece que Lula também. Não há um grande crescimento de Lula, enquanto Flávio tem caído”, explica.

Para César, a campanha de Flávio não conseguiu estancar o sangramento público que o senador vem sofrendo, começando pelo envolvimento com o Banco Master, passando pela briga pública com a madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, e terminando com uma foto comprometedora com “Sicário“, capanga do banqueiro Daniel Vorcaro.

“É uma foto que já se comprovou a veracidade e é uma imagem em que Flávio está sem camisa, ou seja, é uma foto de intimidade. Você não sai tirando foto desse jeito com pessoas aleatórias. A menos que você tenha uma relativa intimidade. É muito difícil dizer que não conhece. Além disso, tem a gravação da Michelle e a divulgação da carta escrita por Bolsonaro”, aponta.

Benedito Tadeu César pondera que Lula vai muito bem no Nordeste e angariou votos no Sudeste, que é a região que mais concentra eleitores no Brasil. Contudo, ainda tem dificuldade de inserção em dois segmentos: o dos jovens até 35 anos e o da classe média.

“O desempenho ruim até os 35 anos se dá porque é uma faixa etária que recém entrou no mercado de trabalho, é uma fase quando você está começando a construir a sua vida adulta e quando você tem muita expectativa e muitas dificuldades a serem enfrentadas. O mau desempenho do Lula nesses segmentos para mim é preocupante. Os outros segmentos têm uma memória dos bons tempos. Se você cruza o dado de faixa etária com o segmento de renda intermediária, você encontra uma falta de perspectiva desse segmento da população com o futuro. Os indicadores econômicos melhoraram. Mas falta algo, falta você mostrar que há perspectiva de futuro, um projeto de desenvolvimento nacional que faça com que as pessoas tenham uma renda melhor, um futuro melhor, uma mensagem de esperança”, resume.

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