Os Papas e a tragédia da bomba atômica. Artigo de Luigi Sandri

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04 Agosto 2026

"A enfática declaração de Francisco abre enormes problemas geopolíticos, religiosos e eclesiais. Caberia às Conferências Episcopais dos países "nucleares", em primeiro lugar, intervir para falar claramente aos seus fiéis. Isso não aconteceu até agora", escreve Luigi Sandri, jornalista italiano, em artigo publicado por L'Adige, 03-08-2026.

Eis o artigo.

O aniversário do lançamento (6 de agosto de 1945) da primeira bomba atômica sobre civis, em Hiroshima, reitera a severa condenação moral até mesmo contra a mera posse dessa arma mortal, reiterada por Francisco dois anos atrás na cidade japonesa. "Deus de misericórdia e Senhor da história, a vós elevamos os nossos olhos deste lugar, encruzilhada da morte e da vida, da derrota e do renascimento, do sofrimento e da piedade."

Assim começou seu discurso, o Papa Bergoglio, em 24 de novembro de 2024, diante do memorial às milhares de vítimas da primeira bomba atômica, lançada por um avião americano do céu. E, tendo denunciado veementemente o uso dessa bomba contra civis, acrescentou: "A posse de armas atômicas também é imoral, como já disse dois anos atrás."

Comparado a 1945, quando apenas os Estados Unidos possuíam a "bomba", o número de potências nucleares no mundo cresceu gradualmente: oficialmente, são agora oito (Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França, China, Coreia do Norte, Índia e Paquistão); a estas soma-se a nona, Israel, que, de fato, admitiu possuí-la.

Em fevereiro passado, precisamente para impedir que o Irã criasse esse terrível instrumento de guerra, o presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenaram que suas forças armadas bombardeassem a República Islâmica.

Além dos Estados Unidos em 1945, até agora nenhuma das nove potências nucleares, algumas das quais são culturalmente cristãs (católicas, anglicanas, protestantes e ortodoxas), jamais usou a bomba atômica nos diversos conflitos ocorridos nos últimos 81 anos. No entanto, segundo Francisco, seria completamente "imoral", não apenas, obviamente, para esses países lançarem essa bomba, mas mesmo — diz ele — a mera posse desses dispositivos é "imoral", mesmo por razões de dissuasão.

A enfática declaração de Francisco abre enormes problemas geopolíticos, religiosos e eclesiais. Caberia às Conferências Episcopais dos países "nucleares", em primeiro lugar, intervir para falar claramente aos seus fiéis. Isso não aconteceu até agora; mas poderia acontecer? A Igreja Romana não estaria dividida, com fiéis concordando com o pontífice e outros muito incertos sobre a possibilidade de se expressarem sobre uma questão tão complexa, ou mesmo completamente contra ela?

Em 1965, quando o Vaticano II discutiu a constituição "Gaudium et Spes", falando de paz e guerra, a Assembleia condenou o uso da bomba nuclear; mas estava muito incerta sobre condenar a mera "posse" dessa arma mortal. Finalmente, no nº. 78, ela declarará: "Os homens, como pecadores, estão e sempre estarão sob a ameaça da guerra até a vinda de Cristo; mas, na medida em que triunfam, unidos no amor, na conquista do pecado, também conquistam a violência, até o cumprimento daquela palavra divina: 'Transformarão as suas espadas em arados e as suas lanças em foices.'" (Isaías 2:4).

Será que o Papa Leão XIV reiterará o comentário decisivo de Francisco? O caminho entre a diplomacia e a profecia é estreito.

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