Incêndios geram primeira “nuvem de fogo” na história da França

Nuvem de fogo na França. (Foto: RS/Fotos Públicas)

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29 Julho 2026

Fogo intenso em Gironda resultou na formação de um pirocumulonimbus, fenômeno raro capaz de criar novos focos de incêndio e de dispersar brasas.

A informação é publicada por ClimaInfo, 28-07-2026.

A França segue em alerta por conta dos incêndios florestais nos arredores de Gironda, no litoral sudoeste do país. As chamas ganharam tanta força que criaram seu próprio clima: uma nuvem de tempestade de fogo, comum em incêndios extremos, mas ainda rara na Europa.

Segundo a RFI, as autoridades francesas confirmaram a formação de um pirocumulonimbus, uma estrutura atmosférica impulsionada pela fumaça, cinzas e vapor d’água dos incêndios ativos em Gironda, que subiram a altas altitudes e formaram uma nuvem semelhante à de uma tempestade. No entanto, ao invés de umidade, essa “nuvem de fogo” espalha brasas para áreas mais distantes, disseminando o fogo e criando novos focos de incêndio. Essa é a primeira vez que o fenômeno foi observado na França.

A agência meteorológica Météo-France confirmou que o incêndio em Gironda apresentou características convectivas — ou seja, alimentou-se por horas a fio, gerando seu próprio vento e um comportamento errático. Essa “meteorologia particular”, que contraria o padrão atmosférico geral, também dificultou o combate às chamas e exigiu a expansão da área de evacuação. Mais de 220 mil pessoas, entre moradores e turistas, foram forçadas a deixar suas residências.

“É um ciclo de retroalimentação, não um efeito unidirecional. Uma vez formada, a nuvem [pirocumulonimbus] se torna seu próprio sistema meteorológico, pairando sobre o incêndio e dificultando a previsão”, explicou Theodore M. Giannaros, do Observatório Nacional de Atenas (Grécia), à Associated Press. AFP, BBC, Financial Times, Guardian, NY Times e Reuters também repercutiram a formação do pirocumulonimbus na França.

O panorama dos incêndios florestais permanece crítico na França e na Espanha. Como o Guardian assinalou, os bombeiros estão atuando ininterruptamente para debelar as chamas antes da chegada de mais uma onda de calor à Europa Ocidental. As temperaturas já devem subir nesta 4ª feira (29), com risco de superar os 40°C em algumas partes da Espanha e no sudoeste francês.

“A Europa tem tido muito pouco tempo para se recuperar de uma onda de calor antes da chegada da próxima. Cada rodada subsequente de calor extremo agrava os impactos. O solo ressecado, a seca contínua e a vegetação debilitada aumentam o risco de incêndios florestais, enquanto o calor prolongado continua a pressionar o abastecimento de água, a agricultura e a saúde pública”, comentou Jason Nichols, meteorologista da AccuWeather, à Bloomberg.

As autoridades espanholas e francesas já estudam maneiras de injetar dinheiro nas regiões atingidas pelo fogo, a fim de facilitar o atendimento às necessidades das comunidades afetadas. Segundo a Bloomberg, o governo da Espanha declarará as áreas impactadas como “zonas de emergência”, abrindo caminho para o auxílio financeiro. Já na França, o governo confirmou que as seguradoras cobrirão os custos de realocação das mais de 220 mil pessoas evacuadas.

Por outro lado, a Reuters destacou o alerta da Avincis, maior empresa de serviços aéreos de emergência da Europa, de que o continente não está preparado para uma temporada de incêndios mais intensa e prolongada. Segundo a direção da empresa, as aeronaves estão sendo utilizadas de forma praticamente permanente ao longo do ano inteiro e não há equipamentos e pessoal suficientes para expandir o serviço.

Associated Press, NY Times e Reuters também atualizaram a situação dos incêndios na França e na Espanha.

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