Com 97% de chance, El Niño se intensifica no Pacífico e ameaça o clima no Brasil até 2027

Na crise climática de 2024, chuvas acumuladas e concentradas ocasionaram inundações e deslizamentos em várias regiões do RS | Foto: Mauricio Tonetto/ Secom-RS

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28 Julho 2026

O El Niño já se formou no Pacífico equatorial e deve se intensificar até o final de 2026. Segundo os dados mais recentes do Centro de Previsão Climática (CPC) da agência NOAA, a possibilidade de manifestação do fenômeno é de 97%. Pelo menos desde maio, as temperaturas da superfície do mar estão acima da média no Pacífico, com consequências que poderão ser sentidas no Brasil e no exterior.

A reportagem é publicada por Brasil de Fato, 27-07-2026.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, as chuvas do último final de semana atingiram cerca de 60 mil pessoas em 218 municípios, de acordo com o Centro de Operações da Defesa Civil do Estado. O órgão aponta que 91,6% dos desabrigados (488, segundo os último boletim) estão no Vale do Taquari, na região central do estado.

A perspectiva para o segundo semestre é de desequilíbrio climático. Para o trimestre que vai de julho a setembro, as chuvas devem ficar acima da média na região Sul, enquanto deve chover menos no Centro-Norte do país. Com as temperaturas acima da média, a previsão é de ondas de calor e de incêndios florestais.

Para compreender a extensão do fenômeno, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) tem publicado o boletim do Painel El Niño 2026-2027, que reúne, além do próprio Inmet, Inpe, Cemaden, ANA, Serviço Geológico do Brasil e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

No plano global, o índice Niño 3.4, que é a principal área de monitoramento, alcançou a média de 2,1° C, considerada “anomalia absoluta”. Diante do quadro, o Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), da Universidade Columbia, estima que o pico do evento deverá acontecer entre outubro e dezembro de 2026.

O que não quer dizer que o El Niño cessará de imediato. Ainda segundo o IRI, o fenômeno deve se estender com força, pelo menos, até o final do primeiro trimestre de 2027, com efeitos residuais nos trimestres seguintes.

No Hemisfério Norte, os efeitos da crise climática têm sido sentidos a cada verão. Recentemente, países como França e Espanha têm tido que lidar com incêndios florestais rotineiros. Enquanto isso, capitais de toda a Europa, como Paris e Roma, têm experimentado semanas com temperaturas máximas rondando a casa dos 40° C.

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