Trump concede tratamento preferencial à Arábia Saudita com um acordo nuclear que abre caminho para o enriquecimento de urânio no país

Foto: Wikimedia Commons | The White House

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23 Julho 2026

O governo dos EUA sela um acordo com Riade enquanto trava uma guerra com o Irã sob o argumento de impedir que Teerã enriqueça urânio em seu próprio território.

A informação é de Andrés Gil, publicada por elDiario.es, 23-07-2026.

Donald Trump assina um inédito acordo nuclear com a Arábia Saudita que pode permitir ao reino enriquecer urânio. Segundo especialistas citados por veículos americanos, a decisão acirra a tensão sobre a proliferação atômica e cria uma situação desestabilizadora em plena guerra com o Irã, em torno do suposto programa nuclear iraniano.

O acordo com um país que já manifestou o desejo de obter uma arma nuclear acrescenta incerteza à região; o Congresso americano dispõe de 90 dias para se manifestar sobre o pacto.

Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira, o Departamento de Energia dos Estados Unidos informou que seu secretário, Chris Wright, e seu homólogo saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, assinaram um acordo de cooperação nuclear pacífica, junto com um acordo bilateral de salvaguardas.

"Esses acordos refletem o compromisso compartilhado de nossas duas nações de fortalecer as relações comerciais entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita, gerando prosperidade em casa e segurança para nossos aliados no exterior", afirma Wright em comunicado. "Podem ter certeza de que esses acordos atendem aos mais altos padrões de segurança nuclear e não proliferação, ao mesmo tempo que se baseiam na melhor tecnologia e nos melhores cientistas nucleares do mundo, desenvolvidos aqui mesmo, nos Estados Unidos".

O acordo tem vigência de 30 anos e prevê a participação de empresas americanas no desenvolvimento do programa. O pacto abre caminho para a construção de uma instalação de enriquecimento de urânio na Arábia Saudita, após a realização de um estudo conjunto entre ambos os países.

No entanto, o acordo, que deve se submeter à revisão do Congresso, pode enfrentar resistência de congressistas preocupados em ajudar os sauditas a realizar seu antigo desejo de enriquecer seu próprio urânio, o que pode desencadear novas ondas de proliferação e disputa nuclear.

A Arábia Saudita é um Estado-membro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), organismo sediado em Viena que promove o uso pacífico da energia nuclear, mas que também inspeciona as nações para garantir que não possuam programas clandestinos de armas atômicas.

Ainda assim, o acordo não inclui o protocolo adicional da AIEA, que permitiria maior supervisão, inspeção e verificação.

O anúncio ocorre em meio à ofensiva contra o Irã empreendida pelos Estados Unidos e por Israel, em parte, para eliminar a capacidade de Teerã de desenvolver uma arma nuclear. O Irã tem insistido que seu programa de enriquecimento nuclear tem fins pacíficos.

Tanto Trump quanto o ex-presidente Joe Biden tentaram fechar um acordo nuclear com o reino para compartilhar tecnologia americana.

No entanto, informa a AP, especialistas em não proliferação advertem que qualquer centrífuga em funcionamento dentro da Arábia Saudita poderia abrir caminho para um possível programa de armamento do reino; uma possibilidade que o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, já sugeriu que poderia buscar caso Teerã obtenha uma bomba atômica.

O secretário de Energia, Chris Wright, viajou à Arábia Saudita no ano passado, pouco antes da visita de Trump ao reino, e discutiu com seu homólogo saudita o desenvolvimento da indústria de energia nuclear comercial do país.

A Arábia Saudita e o Paquistão, país que possui armas nucleares, já assinaram um pacto de defesa mútua depois que Israel lançou um ataque contra o Catar dirigido a autoridades do Hamas.

O ministro da Defesa do Paquistão declarou na ocasião que o programa nuclear de sua nação "seria colocado à disposição" da Arábia Saudita em caso de necessidade; uma medida interpretada como um recado a Israel, considerado por muito tempo o único Estado do Oriente Médio com capacidade nuclear.

O enriquecimento não conduz automaticamente à obtenção de uma arma nuclear; ainda é preciso dominar outras etapas, como o uso de explosivos de alta potência sincronizados, por exemplo, informa a AP, mas o processo abre caminho para a fabricação de armamento, o que tem alimentado a preocupação do Ocidente em relação ao programa iraniano.

Os Emirados Árabes Unidos, país vizinho da Arábia Saudita, assinaram com os Estados Unidos um acordo para construir sua usina nuclear de Barakah com assistência sul-coreana. Ainda assim, os Emirados o fizeram sem buscar capacidade de enriquecimento, decisão que especialistas em não proliferação classificaram como o "padrão-ouro" para as nações que desejam energia atômica.

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