O filme "A Odisseia", de Christopher Nolan, nos leva a refletir sobre o custo da guerra

Foto: Divulgação

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23 Julho 2026

A nova adaptação cinematográfica de Christopher Nolan de Odisseia é uma reflexão moderna sobre o custo da guerra, que exige que o público considere a relevância do ataque dos EUA ao Irã e a contínua destruição de Gaza por Israel.

O artigo é de Emma Cieslik publicado por National Catholic Reporter, 23-07-2026.

Eis o artigo.

Os fãs de épicos de guerra gregos podem achar esta interpretação surpreendente, uma que apoia o apelo do Papa Leão XIV pela paz e seu argumento de que a teoria da guerra justa da Igreja está ultrapassada.

Embora a epopeia homérica original contivesse uma lição moral sobre a arrogância de Odisseu (todos os seus companheiros soldados morrem por causa de sua vingança contra Polifemo), Nolan enquadra a perigosa jornada do herói como uma metáfora para a experiência universal de veteranos traumatizados que tentam retornar ao que um dia consideraram seu lar. Odisseu (Matt Damon) chora ao contar à sua esposa Penélope (Anne Hathaway) o preço que a jornada lhe custou: sua própria saúde física e mental, e as vidas dos soldados sob seu comando.

Embora tenha a sorte de voltar para casa, a casa que ele se lembra não existe mais. Na ausência de Odisseu, pretendentes acorrem em massa, clamando para casar com sua esposa e insistindo que chegou a hora de ela escolher o próximo rei de Ítaca. Penélope perde a fé na existência do marido, muito menos em seu retorno, e seu filho Telêmaco (Tom Holland) passou a vida inteira buscando um pai do qual não se lembra. A instabilidade política de Ítaca leva Telêmaco a aspirar ao trono antes de estar preparado, diminuindo o trabalho de sua mãe pela ilha e quase sendo assassinado por seus pretendentes. Até mesmo o amigo mais leal de Odisseu e pastor de porcos cego, Eumeu (John Leguizamo), é espancado quase até a morte por sua lealdade.

Todos aqueles cujas vidas se cruzam com a de Odisseu enfrentam o custo humano da guerra, mesmo que nunca pisem no campo de batalha. Em Troia, assassinatos, estupros, escravidão e destruição em massa são desenfreados, e o público assiste a tudo pelos olhos do homem cujo estratagema do Cavalo de Troia tornou possível a vitória — e o derramamento de sangue.

Por meio da feiticeira Circe, que transforma os homens de Odisseu em porcos, ele descobre que os homens abandonados à deriva após a guerra ameaçam todos que encontram, famintos e encorajados pela licença para estuprar e matar.

O filme de Nolan trata fundamentalmente de como a guerra transforma a todos; quando a desumanização e o assassinato se institucionalizam, a moral social desaparece.

"A Odisseia" foi amplamente comercializada como uma versão nova e aprimorada de "Troia" (2004), de Wolfgang Petersen, glorificando a guerra como inerentemente masculina e vitoriosa, e assim Nolan encontra um público ávido por se entregar à fetichização da Grécia Antiga. Mas, em vez de elogiar a brutalidade ou idolatrar o próprio herói, o filme nos incita a encarar o verdadeiro custo de nossas guerras modernas.

Odisseu reconhece a Penélope que só venceu porque desobedeceu à lei da hospitalidade de Zeus. Num castigo doloroso, Atena, a deusa da guerra que aparece apenas a Odisseu, assume a forma de uma jovem que ele viu ser decapitada durante o saque de Troia. A estátua decapitada da deusa, com a cabeça rolando pela tela, é um símbolo de profundo sacrilégio. A guerra de Odisseu foi fundamentalmente profana.

Muitos argumentam que a guerra é a medida da força de um homem e de uma nação. Mas, nesta adaptação, Nolan nos apresenta um herói destruído que jamais consegue encontrar seu lar novamente — porque a guerra que ele travou foi o que o destruiu.

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