Europa registra mais de 10 mil mortes por onda de calor no fim de junho

Foto: Pixabay

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14 Julho 2026

Países europeus registraram mais de 10 mil mortes em excesso durante a onda de calor recorde que atingiu o oeste do continente no final de junho. Mais de 9 mil dessas mortes ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais, de acordo com dados publicados pela EuroMOMO, uma rede apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A informação é publicada por ClimaInfo, 13-07-2026.

Os dados, compilados a partir de estatísticas nacionais de mortalidade em 27 países europeus, incluíram o excesso de mortes por todas as causas, não apenas as relacionadas ao calor, durante a semana de 22 a 28 de junho, quando a onda de calor atingiu o pico na França, Espanha, Grã-Bretanha e outras nações do continente. Mas os cientistas afirmaram que não havia outros fatores importantes conhecidos, como surtos de COVID-19, que pudessem ter contribuído para o aumento de 10,6 mil mortes em excesso naquela semana.

“Ter esse tipo de excesso [de mortes] nesta época do ano é incomum. É realmente muito alto”, disse Lasse Vestergaard, médico-chefe do Statens Serum Institut da Dinamarca, que sedia o EuroMOMO, à Reuters. “É difícil explicar esse elevado excesso de mortalidade por qualquer outro motivo que não seja o calor extremo”, acrescentou.

No Reino Unido, especialistas do Imperial College London, do Met Office e da London School of Hygiene and Tropical Medicine utilizaram dados meteorológicos, modelos climáticos e estudos sobre o excesso de mortalidade durante as duas ondas de calor que atingiram a região em maio e junho. E calcularam que pelo menos 2,7 mil pessoas morreram na Inglaterra e no País de Gales em consequência das altas temperaturas, informam Euronews, Bloomberg, Financial Times, BBC e Independent.

Os dados ilustram de forma contundente o perigo do calor extremo sendo intensificado pela crise climática, destaca o Guardian. Mais de 40% das pessoas afetadas não teriam morrido sem o aumento de 1,4°C na temperatura global, de acordo com a análise. Elevação de temperatura causada principalmente pela queima de combustíveis fósseis.

A estimativa mostra que a onda de calor do fim de junho matou cerca de 440 pessoas por dia durante seu pico de três dias. A título de comparação, quatro pessoas morrem por dia em decorrência de acidentes de trânsito nos dois países, e 35 diariamente devido ao consumo de álcool e drogas , segundo estatísticas governamentais.

A onda de calor histórica que assolou a Europa no fim de junho seria improvável há 50 anos. O diferencial para o atual cenário são as mudanças climáticas, destacou um estudo de atribuição da rede global de cientistas climáticos World Weather Attribution (WWA).

Em tempo 1

O desmonte dos órgãos científicos feito pelo governo Trump nos EUA é motivo de grande preocupação entre os cientistas climáticos. Como O Globo pontuou, a Casa Branca prevê novos cortes expressivos de orçamento para o ano fiscal de 2027, afetando órgãos cruciais para a pesquisa científica sobre o clima, como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), com perda de US$ 1,7 bilhão, e a Agência Espacial dos EUA (NASA), com corte de 5,6 bilhões. As reduções orçamentárias atingem em especial os programas de pesquisa climática, centrais para a geração global de conhecimento sobre a crise do clima. O enfraquecimento da capacidade global de monitorar o avanço da crise climática acontece no pior momento possível, em meio à intensificação de eventos extremos, como as ondas históricas de calor que assolam a Europa e a América do Norte.

Em tempo 2

O calor extremo do último mês na Europa deixou evidente a importância da adaptação climática, que permanece sendo um desafio até para o continente mais rico do mundo. Em entrevista ao Valor, o diretor-executivo do Greenpeace Alemanha, Martin Kaiser, ressaltou que os países precisam avançar nessa agenda, sob o risco de enfrentarem desastres de saúde pública nos próximos anos. “Sem uma adaptação climática forte vamos rapidamente entrar em um cenário de desastre de saúde pública porque as pessoas não suportam altas temperaturas sem sistemas de resfriamento”, observou.

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