Futebol, money, money

Gianni Infantino no Salão Oval. (Foto: Daniel Torok/The White House/ Flickr)

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10 Julho 2026

O futebol mudou muito nos últimos anos, mudanças que ficam evidentes a cada Copa do Mundo. Também o futebol do país de chuteiras ficou mais pobre no campo. Mas mais rico fora de campo. O que importa é money, money, money... Sob perspectivas do cifrão, a Copa do Mundo de 2026 é um sucesso. Os fracassos ficaram fora do cofre. Estão nas quatro linhas, na politicagem, nas arbitragens, nas escalações, nas táticas de jogo, no futebol força em detrimento do futebol arte...

A informação é de Edelberto Behs, jornalista. 

A FIFA cometeu um haraquiri ao anular o “castigo” do jogador estadunidense Folarin Balogun, que recebeu um cartão vermelho no jogo contra a Bósnia e Herzegovina. Ou seja, o cartão vermelho de Balogun foi suspenso, a pedido do todo poderoso senhor da guerra e também dos campos de futebol, Donald Trump. Assim, o goleador perdoado entrou em campo no jogo contra a Bélgica. É a política interferindo nos gramados, alcançando o fundo do poço. Mesmo assim, não deu para a seleção do Tio Sam, que perdeu o jogo por 4 a 1. Eu diria, “bem feito!”

A imprensa noticiou que Trump telefonou ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, pedindo a intervenção dele para a anulação do cartão vermelho. Sabe-se lá se não é o próprio Donald que está escalando o time dos Estados Unidos! Antes do início da Copa, Trump proibiu o ingresso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan no país, sob a alegação dele ter vínculos com organizações terroristas.

Não foi só isso. Embora a seleção do Irã tivesse seus jogos agendados para Los Angeles e Seattle, seus atletas tiveram que dormir na Cidade do México, a 3,7 mil quilômetros de Seattle. As viagens, um desgaste desnecessário para os atletas. E tudo isso sob a conivência do comando da FIFA, que simplesmente se dobrou às decisões rocambolescas do presidente Trump.

No campo, algumas arbitragens seguiram a máxima “deixe o jogo prosseguir”. Daí passaram a valer empurrões, puxões em camisetas adversárias e até mesmo carrinhos duvidosos para impedir o avanço de atacantes, atitudes que, até algum tempo atrás, eram consideradas faltas. E toma-lhe vaia ao defensor que usava o recurso de atrasar a bola para o goleiro, o que, nesta Copa, está sendo aplicado por todas as equipes, para escapar da marcação férrea nas saídas de bola ou tiro de meta.

O cartão vermelho suspenso abre um precedente perigoso. A França já entrou com o pedido para que a FIFA anule o cartão recebido por Olise. A Real Associação Belga de Futebol contestou a decisão da FIFA. O técnico da seleção belga, Rudi Garcia, disse que a federação belga não se defende a si mesma, não defende a seleção nacional, defende o futebol em geral. Defende a sua integridade. Defende a sua ética”. E ele tem razão, apesar da FIFA arrumar um subterfúgio regimental para suspender o cartão vermelho de Balogun, que entrará para a história.

Apesar de técnico de uma seleção eliminada nas oitavas de final, Carlo Ancelotti está tranquilo quanto ao money, money, money. Com contrato renovado em 5 de maio, portanto antes da Copa, ele receberá 10 milhões de euros por ano, algo em torno de 59 milhões de reais, renovação válida mesmo depois do fiasco em campo. Também isso mudou no futebol, ou porque o cara é gringo. Técnico perdedor era mandado embora. O fato de contar com um técnico estrangeiro, já é alerta de que o nosso futebol não vai bem, obrigado. Será que o Brasil não tem sequer um técnico capaz de orientar a seleção canarinho?

Bem, a Copa não terminou. Talvez Trump resolva, ainda, telefonar para Infantino pedindo para anular o jogo da seleção estadunidense contra a Bélgica ou até mesmo reverter o resultado.

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