O ilusionismo de Ancelotti

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06 Julho 2026

Os professores ficaram sem uma escola reconhecível, eliminados nas oitavas de final com cinco estrelas em suas camisas.

A informação é de Angelo Carotenuto, publicada por La Repubblica, 06-07-2026.

Ao se tornar cada vez mais europeu, acreditando que isso bastava para ser mais astuto e concreto, o Brasil acabou como as potências antigas mais ultrapassadas, aquelas que perderam sua distinção, aquelas que venderam suas almas sem conseguir se atualizar nesse meio tempo. Pegou emprestada a cautela de uma parte da Europa, enquanto outra parte do continente — França, Espanha — absorveu, com o tempo, sua técnica, imaginação e talento. Assim, os mestres ficaram sem uma escola reconhecível, eliminados nas oitavas de final com cinco estrelas na camisa e uma espera pela sexta vitória que, em 2030, chegará a vinte e oito anos.

Pensar que ele foi eliminado por trair o clichê do jogo bonito é uma simplificação excessiva. As seleções brasileiras de 1994 e 2002 também foram prudentes — prudentes e modernas. Não eram times ingênuos, nem fiéis a uma suposta pureza original. Eram brasileiras porque a disciplina libertou Romário e Bebeto, ou Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho. A organização interveio para proteger a sua diferença, mas não a apagou.

Este Brasil, no entanto, parece ter copiado algumas características externas da Europa, desde a ocupação de espaços até a atenção às transições, mas sem alcançar a qualidade coletiva. A derrota para a Noruega serve de alerta. O Brasil teve suas chances. Perdeu um pênalti que lhe permitiria abrir o placar aos 14 minutos, antes de Haaland deixar sua marca com dois gols no final da partida. Uma única eliminação pode ser uma questão de sorte. Mas esta é a pior Copa do Mundo do Brasil desde 1990 e continua um jejum de participações que começou em 2006. Isso deve significar alguma coisa.

Nós, italianos, tentamos entrar nesta Copa do Mundo por procuração, confiando a Ancelotti a tarefa de nos representar. Como se um técnico italiano no banco do Brasil pudesse nos devolver uma parte do torneio da qual fomos excluídos.

Mas Carletto não tornou o Brasil mais italiano; pelo contrário, mostrou o quanto precisávamos adotar o time de outra pessoa para ainda nos sentirmos presentes. Agora ele também está fora. Não perdemos uma segunda seleção, mas a ilusão de participar sem termos nos classificado.

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