23 Junho 2026
A decisão de entregar o cargo ocorre na esteira da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira, 18.
A reportagem é publicada por ExtraClasse, 22-06-2026.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) deve anunciar nos próximos dias o seu pedido de afastamento da liderança do governo no Senado. A informação foi apurada e divulgada nesta segunda-feira, 22, pela jornalista Tainá Falcão, em seu blog no portal da CNN Brasil. Wagner teria sido convencido por aliados próximos da Bahia, ao longo do fim de semana, de que sua permanência no posto ampliaria o desgaste político sobre si e sobre o Palácio do Planalto, trazendo riscos inclusive para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O parlamentar baiano pretende se reunir com o presidente Lula para formalizar a entrega do cargo, justificando que precisa se concentrar exclusivamente em sua defesa jurídica.
A decisão de entregar o cargo ocorre na esteira da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira, 18. A investigação apura suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e recebimento de vantagens indevidas envolvendo o antigo Banco Master. A PF aponta indícios de benefícios econômicos diretos e indiretos ao senador.
Pressionado, Jaques Wagner deve deixar liderança do governo no Senado
Jaques Wagner já acumulava desgastes alimentados por derrotas emblemáticas do governo no Senado, como a não aprovação de Jorge Messias para o STF, sua excessiva proximidade com Davi Alcolumbre e os afagos públicos a Flávio Bolsonaro durante a votação da dosimetria para as penas do 8 de janeiro
Nos bastidores, o clima no entorno presidencial é de forte decepção. Auxiliares do Planalto relatam que Jaques Wagner teria assegurado a Lula, em mais de uma ocasião, que não havia elementos que pudessem motivar uma operação policial contra ele. O cenário se deteriorou significativamente após a divulgação de imagens de dinheiro em espécie apreendido pela PF e de suspeitas ligadas a um apartamento de alto padrão em Salvador. Uma entrevista recente concedida pelo senador para se defender também foi considerada desastrosa por aliados do governo.
Apesar do recuo político para deixar a liderança, Jaques Wagner nega categoricamente as acusações. Ele afirma que o imóvel em Salvador nunca fez parte de seu patrimônio, justifica que os valores em espécie apreendidos são fruto de diárias legais de missões internacionais e declarou que seguirá colaborando integralmente com as investigações.
Jaques Wagner já vinha acumulando desgastes alimentados por derrotas emblemáticas do governo no Senado, como a não aprovação de Jorge Messias para o STF, sua excessiva proximidade com Davi Alcolumbre — que recentemente saiu em sua defesa — e episódios de afagos públicos a Flávio Bolsonaro (PL) durante a votação da dosimetria de penas do 8 de janeiro.
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