‘Copa do Mundo revela cartografia da exclusão’, denuncia especialista em migração e refúgio

Foto: Wikimedia Commons

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20 Junho 2026

Para as pessoas em diáspora, ver seu país representado na Copa do Mundo ativa, por um lado positivo, uma coesão social.

A informação é de Ana Rosa Carrara e Lucas Salum, publicada por Brasil de Fato, 18-06-2026. 

Desde 2001, o Dia Mundial do Refugiado é celebrado em 20 de junho. Neste ano, a data coincide com a realização da Copa do Mundo 2026.

Para Alex André Vargem, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da Comissão de Direitos Humanos, Migrantes e Combate à Xenofobia do Conselho Estadual de Defesa do Direito da Pessoa Humana, o evento esportivo é uma oportunidade de olharmos para o que ele chamou de, cartografia da exclusão e perceber como essas exclusões são operacionalizadas hoje na geopolítica mundial.

"A Copa do Mundo cumpre um papel pedagógico dessa cartografia, de como a situação política social é estabelecida no mundo. Ela mostra essa cartografia da exclusão. Se a gente pensar nos marcadores sociais da diferença, questão de raça, gênero, nacionalidade, grupo social, opinião política, eles são evidenciados na Copa do Mundo. E, num contexto importante, tem a Copa do Mundo, mas, ao mesmo tempo, uma data simbólica: o Dia Mundial dos Refugiados. É importante nós refletirmos e fazermos essa ligação."

Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, o especialista apontou que, por vezes, os processos de exclusão de pessoas em refúgio se somam a outras formas de violência.

“Esses mecanismos de exclusão muitas vezes se transformam em grandes violências, não só de racismo estrutural, mas de xenofobia estrutural. Quando as pessoas não conseguem acesso a determinados postos de trabalho e outras posições sociais por conta da sua origem, mas também pela cor da pele. A violência simbólica por meio de xingamentos, pichações, e a violência física com algum tipo de agressão que, em alguns casos, infelizmente, acaba até morte”, relata Vargem.

As práticas xenofóbicas, enquadradas como crime de racismo, são efeitos do colonialismo e do chamado hoje, neocolonialismo. “Pensar esses países que outrora eram colonizadores e ainda exercem mecanismos de poder nesses países outrora colonizados mexe com a subjetividade de pessoas e com a migração também. A migração é um indicador de como muitos desses países que foram colonizadores, onde há uma grande presença de migração, voltando algumas décadas atrás, tiveram intervenções que foram horríveis do ponto de vista de estruturas sociais, políticas e econômicas.”

Por outro lado, Vargem pondera que eventos esportivos de amplo alcance, como a Copa do Mundo, permitem às pessoas que vivem em diáspora ativarem uma memória afetiva da terra natal e conseguirem viver uma coesão social de forte peso simbólico.

“A pessoa que vive fora, em condições muitas vezes adversas, de repente está vendo a sua seleção, que a duras penas conseguiu passar por um funil de Copa do Mundo, jogando. Isso reforça uma memória afetiva e também um vínculo identitário muito forte, e cria uma certa coesão social entre esses grupos.”

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