O mea culpa do Papa Leão sobre padres pedófilos na abadia dos abusos

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13 Junho 2026

Das sombras dos abusos do clero em Montserrat à luz da Sagrada Família. O Papa Leão cumpre o gesto simbolicamente mais forte de sua viagem ao rezar na abadia definida pelas vítimas como o "marco zero" do escândalo da pedofilia. O Papa, que no voo para Madri havia relembrado sua luta contra os abusos em todos os lugares onde prestou serviço (e seu desejo de "continuar a fazê-lo") e que se encontrou com seis pessoas abusadas por sacerdotes e religiosos na nunciatura, realizou ontem uma "peregrinação" carregada de significados.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicado por La Stampa, 11-06-2026. A tradução de Luisa Rabolini.

"Uma visita que simbolicamente equivale a um mea culpa pelos crimes de ministros infiéis da Igreja", explica o Arcebispo Michele Pennisi. "Apesar de sua mansidão, o Papa demonstrou coragem ao visitar a abadia onde ocorreram a maioria dos escândalos na Espanha. Ele não teme enfrentar feridas e realidades negativas, pedindo perdão, como fez em Madri, encontrando-se com as vítimas e pressionando o episcopado por uma formação completa nos seminários. A oração em Montserrat é o sinal de uma emergência que Leão pretende resolver. A tolerância zero para com os abusadores e a colaboração da Igreja não significam deixar de proteger o segredo da confissão, como afirmado nas Cortes."

Uma "purificação", observa o Bispo Domenico Mogavero, que "transforma o mea culpa simbólico em uma assunção de responsabilidade para recomeçar, livre dos silêncios e das zonas cinzentas do passado". No santuário, o Pontífice indica "o caminho da misericórdia, da reconciliação, da verdade e da mansidão". Desmascarando "a violência que pode se esconder nas palavras e nas atitudes: a crítica que humilha, a condenação que destrói e a agressividade que divide". Uma violência oculta que "pode se revestir de armaduras aparentes com que buscamos proteger feridas, medos ou sofrimentos causados pelas injustiças. Elevemos o nosso olhar a Maria e supliquemos que ela nos ajude a revestirmo-nos apenas com as armas de Deus." Ele cita o Evangelho: "Quem acolhe em meu nome uma só criança, acolhe a mim." E "que ninguém seja excluído."

O padre Giulio Albanese observa: "O nosso tempo apresenta fenômenos e feridas que nos desafiam profundamente, e não podemos nos permitir subestimá-los. Leão compreendeu isso muito bem. A Igreja não pode ignorar aquilo que, dentro de si, obscurece e contamina o testemunho do Evangelho." Os escândalos, "especialmente aqueles gravíssimos e aberrantes ligados aos abusos de menores, não são erros a serem arquivados, mas feridas abertas que clamam por verdade, justiça, conversão e responsabilidade."

O Papa em Montserrat demonstra que "sem testemunho credível, a proclamação do Evangelho perde força. Não bastam palavras certas, discursos bem elaborados ou iniciativas pastorais bem organizadas."

O padre Albanese acrescenta: "A Igreja fala verdadeiramente de Cristo quando a sua vida se torna transparência de amor, misericórdia e justiça. Precisamos de um testemunho humilde, límpido e corajoso que não esconda o pecado, mas o reconheça; que não defenda as aparências, mas busque a verdade; que não se feche no medo, mas se deixe purificar pelo Evangelho. O Reino de Deus não pode ser anunciado como uma ideia abstrata, mas como uma presença viva, capaz de curar, levantar e dar esperança."

Mas para o movimento "Reparação Imediata e Integral", isso não basta: "Em Montserrat, Leão não nos recebeu citando problemas de agenda, mas recebeu Bad Bunny. Aqui, a ferida ainda está aberta com os crimes de pedofilia cometidos por monges e acobertados por abades." Na realidade, segundo a linha de Prevost, a questão dos abusos deve ser enfrentada com rigor, mas sem sensacionalismo, harmonizando lei estatal e canônica, indenizando as vítimas e desmascarando falsos acusadores.

"Peçamos a Maria que nos ensine a renunciar às palavras ofensivas, ao julgamento precipitado, às calúnias e difamações", invoca o Pontífice, que depois inaugura a Sagrada Família — a igreja mais alta do mundo, concluída após cem anos — e adverte: "Não podemos crer em Jesus e travar guerras, matando inocentes. Os cristãos não abandonam aqueles que sofrem, choram e fogem da miséria."

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