09 Junho 2026
Cerca de metade do oxigênio que respiramos é produzido pelos oceanos, que também absorvem um terço do dióxido de carbono da atmosfera e a maior parte do excesso de calor retido pelos gases de efeito estufa, detalha o Earth.com. Mas os oceanos estão se deteriorando em um ritmo alarmante, com impactos que são uma ameaça direta para populações costeiras em todo o mundo, incluindo o Brasil.
A informação é publicada por ClimaInfo, 08-06-2026.
Os alertas são da Terceira Avaliação Global dos Oceanos (WOA-3), divulgada pela ONU na 2ª feira (8/6), Dia Mundial dos Oceanos. Em mensagem pela data, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ressaltou que os mares estão em grave perigo e fez um apelo à Humanidade para não tratá-los como um recurso ilimitado.
Considerado o levantamento mais abrangente já realizado sobre os oceanos, o WOA-3 reúne contribuições de mais de 650 cientistas de 86 países e analisa dados coletados principalmente entre 2018 e 2023. O documento aborda temas como mudanças climáticas, biodiversidade, poluição, segurança alimentar, saúde humana, turismo, governança e exploração tecnológica dos oceanos, explica o Olhar Digital.
O relatório destaca a aceleração do aumento do nível dos oceanos. À UN News, o professor Ronaldo Christofoletti, da UNIFESP, um dos autores do estudo, conta que a taxa anual de elevação dos mares aumentou mais de 50% desde a edição anterior do estudo, publicada há quatro anos. Além disso, explica que recordes de degelo na região do Ártico e na Antártica estão desregulando a relação do oceano com a atmosfera e alterando as frentes frias e o regime de chuvas no Brasil.
Outra autora do relatório, a pesquisadora portuguesa Maria João Bebianno ressalta o risco associado aos chamados “poluentes emergentes”, que vão muito além do lixo plástico visível, informa o Sapo. “Estamos vendo um aumento na concentração de antibióticos no oceano. Isso faz com que espécies de bactérias e genes resistentes surjam no mar, gerando uma situação muito parecida com a que enfrentamos hoje com as superinfecções em hospitais. É alarmante. Precisamos recuperar a saúde do oceano para, assim, recuperarmos a saúde humana.”
O WOA-3 ainda aponta a forte expansão dos impactos da poluição plástica sobre a biodiversidade marinha. Enquanto o relatório anterior registrava cerca de 1,4 mil espécies afetadas por plástico, o novo texto aponta mais de 4 mil espécies impactadas.
Além disso, o estudo documenta fenômenos físicos invisíveis aos olhos do cidadão comum, mas arrasadores: a acidificação e o aquecimento do mar, elevando o nível das águas através da expansão térmica. Outro fenômeno é a perda de oxigênio no ambiente oceânico. A desoxigenação das águas tem implicações diretas na sobrevivência de espécies marinhas e terrestres.
Em tempo
No Brasil, o oceano é lembrado em campanhas educativas e discursos institucionais, mas permanece ausente no orçamento público, na legislação, na fiscalização e nas políticas públicas. Um exemplo disso é o Projeto de Lei nº 2524/2022, que propõe uma política para modernizar a produção de plástico no país e prevê a eliminação de itens descartáveis e problemáticos, que permanece parado há mais de dois anos no Senado Federal, aguardando o parecer do senador Otto Alencar (PSD-BA), lembra Ademilson Zamboni, diretor-geral da Oceana no Brasil. “Médico de formação, Otto representa a Bahia, estado brasileiro com a maior costa marinha. Ainda assim, o projeto segue sem avanços, sem diálogo com a sociedade e sem respostas concretas diante da urgência da crise do plástico”, afirma no Um só planeta.
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