Relatório americano aponta desmatamento sob Bolsonaro como problema para sanções

Foto: Marizilda Cruppe/Amazônia Real

Mais Lidos

  • Missões 400 anos: “e a Igreja nem tá aí!” Artigo de Frei Luiz Carlos Susin

    LER MAIS
  • Kiev está em chamas. Os russos mobilizam uma força de ataque maciça contra a Ucrânia

    LER MAIS
  • “A decisão é clara: ou um regime desigualitário e depredador, ou a justiça social e a sustentabilidade ecológica". Entrevista com Laura Quintana

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

03 Junho 2026

Relatório menciona pico de desmatamento em 2021, saída de empresas da Moratória da Soja e supostas fragilidades na fiscalização.

A informação é publicada por Agenda do Poder, 03-06-2026.

O governo dos Estados Unidos incluiu o desmatamento na Amazônia e o avanço da produção agrícola brasileira entre os argumentos utilizados para recomendar novas tarifas sobre produtos exportados pelo Brasil. Em documento divulgado nesta semana, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) cita o pico de desmatamento registrado em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, e afirma que a destruição ilegal de florestas teria contribuído para reduzir custos de produção e ampliar a competitividade brasileira no mercado global.

O relatório faz parte das conclusões preliminares da investigação conduzida pela administração do presidente Donald Trump e serviu de base para a recomendação de uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Apesar disso, itens relevantes da pauta exportadora, como café, frutas, carne bovina e aeronaves, ficaram fora da lista principal de taxação.

Desmatamento no centro da discussão

Segundo o documento americano, o Brasil não teria conseguido eliminar o desmatamento ilegal de forma consistente, mesmo com avanços recentes na fiscalização ambiental.

Os Estados Unidos destacam que o desmatamento atingiu seu maior patamar em 15 anos durante 2021 e afirmam que a incapacidade de aplicar plenamente as leis ambientais transformou o problema em uma questão sistêmica.

Ao mesmo tempo, o relatório reconhece que o governo Lula intensificou ações de fiscalização e conseguiu reduzir os índices de desmatamento nos últimos anos. Ainda assim, o texto argumenta que futuras mudanças políticas poderiam reverter esses avanços.

Soja e competitividade

Um dos principais pontos abordados pelo USTR envolve a produção agrícola brasileira, especialmente a soja.

Na avaliação dos americanos, áreas previamente desmatadas oferecem custos menores para a expansão da atividade agropecuária, permitindo que produtos brasileiros cheguem ao mercado internacional com preços mais competitivos. O relatório sustenta que essa situação pressiona preços globais e afeta concorrentes estrangeiros.

O documento também menciona o enfraquecimento da Moratória da Soja, acordo firmado em 2006 por grandes tradings internacionais para impedir a compra de soja produzida em áreas desmatadas após 2008.

A saída de empresas importantes do pacto é apontada como um fator que pode reduzir a eficácia dos mecanismos de controle ambiental.

Acusações de lavagem de gado

Outro tema destacado pelo relatório é a chamada “lavagem de gado”, prática em que animais criados em áreas desmatadas ilegalmente seriam transferidos para propriedades regularizadas antes da venda aos frigoríficos.

Segundo o governo americano, a falta de fiscalização eficiente pode facilitar a entrada de produtos oriundos de atividades irregulares nas cadeias globais de abastecimento. O texto também menciona suspeitas de subornos envolvendo processos de inspeção e concessão de licenças ambientais.

Mato Grosso entra na mira

O documento faz referência ainda a uma legislação aprovada em Mato Grosso que permite ao governo estadual retirar benefícios fiscais de empresas que aderem a acordos privados com exigências ambientais mais rígidas do que as previstas pela legislação federal.

Na visão do USTR, a medida contribuiu para o enfraquecimento da Moratória da Soja e teria incentivado a saída de grandes companhias do pacto ambiental.

Impactos diplomáticos

A divulgação do relatório acrescenta um novo elemento à crescente tensão comercial entre Brasília e Washington. Embora o governo Trump tenha justificado as tarifas com base em questões comerciais e ambientais, críticos apontam contradições na posição americana, uma vez que a atual administração também promove a exploração de combustíveis fósseis e reduziu investimentos em políticas climáticas.

Leia mais