Silveira defende data centers como “soberania”, mas projetos vão “exportar” elétrons

Foto: İsmail Enes Ayhan | Unplash

Mais Lidos

  • Missões 400 anos: “e a Igreja nem tá aí!” Artigo de Frei Luiz Carlos Susin

    LER MAIS
  • Kiev está em chamas. Os russos mobilizam uma força de ataque maciça contra a Ucrânia

    LER MAIS
  • “A decisão é clara: ou um regime desigualitário e depredador, ou a justiça social e a sustentabilidade ecológica". Entrevista com Laura Quintana

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

03 Junho 2026

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu na 2ª feira (1º/6) que o Brasil trate os data centers como tema de soberania nacional e infraestrutura estratégica. No entanto, além de desconsiderar os impactos desses projetos sobre a oferta hídrica, pela quantidade de água que consomem, Silveira ignora o risco de, novamente, o Brasil virar um exportador de commodities – no caso, os elétrons das fontes renováveis de energia.

A informação é publicada por ClimaInfo, 02-06-2026.

O ministro afirmou que o Brasil reúne condições para atrair investimentos internacionais por causa da matriz energética limpa, da segurança jurídica e do reposicionamento geopolítico do país. Segundo ele, a discussão sobre data centers envolve tecnologia, mas depende principalmente da oferta de energia necessária para operar essas estruturas, relata o Poder 360.

Segundo Silveira, o país tem 38 gigawatts (GW) em pedidos de parecer de acesso e 7,1 GW com potencial para representar R$ 159 bilhões em investimentos nos próximos anos, informam Brasil Energia e Canal Solar. O ministro ainda declarou que empresas internacionais do setor passaram a procurar o Brasil em razão da instabilidade no Oriente Médio. E o fato do país hoje contar com excesso de energia renovável tem atraído mais companhias.

Dados apresentados pelo Ministério de Minas e Energia (MME) mostram que os pedidos de conexão para novos projetos de data centers cresceram 330% entre 2024 e 2025, segundo o Brasil 247. Em dezembro do ano passado, a demanda registrada para empreendimentos previstos até 2038 alcançava 28,5 GW.

O Brasil possui hoje 205 data centers em operação e projetos em construção que somam mais de R$ 114,5 bilhões em investimentos. E a conta continua subindo: dona do maior portfólio de data centers no país, com 26 unidades em operação, a Ascenty anunciou a construção de seu primeiro complexo voltado à inteligência artificial no país, com investimentos previstos de R$ 30 bilhões, informa a Folha.

Um data center é, em essência, uma fábrica de processamento de informação. Um galpão com servidores que armazenam, digerem e distribuem os dados por trás de tudo o que acontece na internet – uma transação via Pix, um vídeo no YouTube e, claro, a aplicação que mais exige eletricidade: inteligência artificial, explica o InvestNews. Ou seja, data centers não geram nenhum valor agregado. Além de monopolizarem a eletricidade gerada por uma planta renovável. É mais uma comoditização da economia brasileira.

Um exemplo claro disso é dado pel’O Globo. Segundo o jornal, por trás do data center de R$ 200 bilhões que está sendo construído para o TikTok no Ceará – projeto já cercado de problemas com energia e água -, há uma estratégia da Casa dos Ventos de transformá-lo em “avenida de exportação de elétrons” a partir do Brasil e em escala industrial.

A Casa dos Ventos foi fundada pelo empresário Mário Araripe em 2007 e é uma das primeiras empresas a explorar o potencial eólico do Nordeste. Quase duas décadas depois, a companhia enxerga na corrida global pela IA a oportunidade de extrair da energia renovável brasileira um valor até então inédito: a “exportação de elétrons” como dados processados. Commodity na veia.

Leia mais