06 Junho 2026
Diante de uma guerra que eclode à sua porta ou de mudanças climáticas que tornam a vida insegura, as pessoas fazem as malas e vão embora. Com mais frequência, porém, fogem permanecendo dentro das fronteiras de seus próprios países, deixando as longas e arriscadas viagens, como aquelas para a Europa, para quem tem força e recursos para empreendê-las. Em todo o mundo, permanece extremamente alto o número de deslocados internos forçados a buscar refúgio de suas cidades e vilarejos, deslocando-se para outras regiões do país. No final de 2025, estimava-se que havia 82,2 milhões de deslocados internos em 104 países. É um número que dobrou m relação ao verificado há dez anos, quando eram contabilizados 38,9 milhões. A novidade dramática é que, hoje, a fúria dos ataques e violências provocadas pelo homem é mais destrutiva do que aquela da natureza. No ano passado, de fato, os conflitos levaram a deslocamentos populacionais recordes (32,3 milhões de deslocamentos novos ou repetidos), superando, pela primeira vez na história, aqueles causados por calamidades naturais (29,9 milhões). Essas informações constam do último relatório global publicado em 12 de maio pelo Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC), com sede em Genebra, uma das fontes de dados mais confiáveis sobre o fenômeno.
A mudança para causas atribuíveis à violência provocada pelo homem tem sido abrupta: os deslocamentos internos após o início de guerras aumentaram 60% em comparação com 2024. É a consequência direta do ataque ao Irã (em junho de 2025), durante o qual o IDMC registrou aproximadamente 10 milhões de deslocamentos dentro das fronteiras nacionais em poucos dias, mas também da intensificação dos confrontos entre as forças de segurança e o grupo armado M23 na República Democrática do Congo, com 9,7 milhões de deslocamentos. "Nunca registramos um número tão impressionante de deslocamentos relacionados a conflitos", comentou Tracy Lucas, diretora do IDMC. "Muitas vezes são as mesmas pessoas que são forçadas a deixar suas casas repetidas vezes."
A reportagem é de Francesca Ghirardelli, publicada por Avvenire, 29-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
O relatório, de fato, estima, por um lado, cada caso em que uma pessoa foge, eventualmente repetidas vezes no período de poucos meses, mas também o número total de pessoas que vivem como deslocadas no final de cada ano. "Da República Democrática do Congo ao Sudão, do Irã ao Líbano, estamos vendo um aumento ainda maior de milhões de deslocados, somando-se aos números recordes anteriores", declarou Jan Egeland, Secretário-Geral do Conselho Norueguês para Refugiados, do qual o IDMC é parte.
O relatório relata que os combates nas ruas e nos arredores de cidades como Goma, no Congo, El Fasher, no Sudão, e Teerã, contribuíram significativamente para os números globais. Enquanto isso, em comparação com 2024, o número de países que vivenciam deslocamentos relacionados a conflitos internacionais aumentou de seis para treze. Isso porque as pessoas não estão fugindo apenas percorrendo de ponta a ponta Ucrânia, Gaza ou Líbano. Algumas também estão fugindo devido ao ressurgimento das tensões fronteiriças entre Camboja e Tailândia, Paquistão e Afeganistão, Paquistão e Índia. Quase metade de todos os deslocados internos relacionados à guerra, no entanto, vive em apenas cinco países, sendo o Sudão o país com o maior número de deslocados pelo terceiro ano consecutivo, seguido pela Colômbia, Síria, Iêmen e Afeganistão. Embora muito próximo do pico histórico registrado em 2024, o número total de deslocados internos (desta vez contabilizando tanto os causados por guerras quanto por calamidades naturais) apresentou uma leve queda este ano. Isso não é necessariamente uma boa notícia, já que a redução é parcialmente determinada por retornos para casa em condições de alto risco ou muito precárias em termos de serviços essenciais (como em algumas áreas do Sudão e da Síria).
O relatório do IDMC também dedica uma análise às hostilidades na Faixa de Gaza, que causaram quase 2,7 milhões de deslocamentos (movimentos, não pessoas) em 2025. O número, certamente, caiu em relação aos 3,2 milhões de 2024. Mesmo assim, a (pouco respeitada) trégua alcançada em outubro e a ocupação israelense de metade do território ainda impediam no final de dezembro que quase dois milhões de pessoas retornassem às suas aldeias de origem. Não apenas no enclave devastado, mas em todo os lugares do planeta, os deslocados internos correm o risco de permanecerem nessa situação por muito tempo se persistirem obstáculos intransponíveis para uma paz verdadeira. Mesmo depois da deposição das armas, o fim sustentável do deslocamento de um povo pode exigir anos de espera e sofrimentos prolongados.
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