02 Junho 2026
"As posições anticonciliares [da Fraternidade Sacerdotal São Pio X] e suas supostas justificativas são bem conhecidas", escreve Lorenzo Prezzi, teólogo italiano e padre dehoniano, em artigo publicado por Settimana News, 01-06-2026.
Eis o artigo.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) anunciou os nomes dos quatro sacerdotes que serão ordenados bispos em 1º de julho em Ecône, na Suíça, enquanto ressurgem memórias dos confrontos que precederam as decisões cismáticas de 1988 e vozes críticas se levantam contra elas por parte de católicos próximos aos sacerdotes, denunciando uma decisão com graves consequências.
Após as mortes de Bernard Tissier de Mallerais e Richard Williamson, Alfonso de Gallareta e Bernard Fellay permanecem entre os bispos ordenados em 1988. Os quatro escolhidos dentre os aproximadamente 700 sacerdotes que compõem a fraternidade são jovens (com idades entre 36 e 53 anos), de diversas nacionalidades, com compromissos anteriores, especialmente em seus seminários (dois na França, um na Suíça, um na Baviera, Alemanha e um na Virgínia, EUA).
Pascal Schreiber, suíço de 53 anos, foi ordenado sacerdote em 1998. Ele dirigiu algumas das escolas secundárias da Fraternidade e, posteriormente, tornou-se superior do distrito suíço e chefe do seminário na Baviera (Zaitskofen).
Michaele Goldade, americano de 45 anos, era diretor, pároco e reitor do Seminário de São Tomás de Aquino, na Virgínia.
Michel Poinsinet de Sivry tem 42 anos e é francês. Foi ordenado em 2008, dirigiu várias escolas e é superior do distrito do Benelux desde 2022.
Marc Hanappier tem 36 anos e é francês. Ordenado em 2013, lecionou teologia primeiro na França e depois no seminário na Virgínia.
Todos vêm de famílias católicas com muitos filhos. A declaração da Fraternidade que os apresenta é muito serena, contrastando com a severidade da decisão: "O Superior Geral reitera que a escolha e a consagração destes eleitos não decorrem de qualquer desejo de reivindicar jurisdição ou estabelecer uma autoridade paralela na Igreja. Não constituem, de forma alguma, uma negação, rejeição ou contestação da jurisdição suprema, plena e imediata do Vigário de Cristo sobre a Igreja universal. A cerimônia de 1º de julho não terá outro propósito senão o de assegurar a continuidade na administração dos sacramentos da Ordem e da Confirmação, bem como dos sacramentais reservados aos bispos, segundo o rito tradicional da Santa Igreja Romana e a fé perene."
As posições anticonciliares e suas supostas justificativas são bem conhecidas.
De Höffner a Müller
A revista Communio publicou em sua edição de maio, sob o nome de Dominik Heringer, o conteúdo de um confronto acirrado que o cardeal-arcebispo de Colônia, Dom Joseph Höffner, teve com o arcebispo Marcel Lefebvre em dezembro de 1977 no convento de Bühl/Baden.
O prelado discutiu seis teses com o bispo dissidente, que ecoam as mesmas propostas hoje, particularmente as críticas à abertura a outras religiões (principalmente o judaísmo), às reformas litúrgicas e ao reconhecimento da liberdade religiosa. Ele destacou as contradições do bispo que, como superior maior de sua congregação, exigiu de seu clero em 1962 o pleno consentimento à Igreja e ao Papa, e depois, em 1974, declarou: "Nenhuma autoridade, nem mesmo a mais alta na hierarquia da Igreja, pode nos obrigar a abandonar ou diminuir nossa fé católica."
E ele prosseguiu: "Porventura vocês possuem uma primazia suprema, uma superinfalibilidade? Ou apelam à sua consciência contra a primazia e a infalibilidade do papa?... É uma contradição intrínseca abandonar a tradição da Igreja em nome da tradição".
Lefebvre respondeu invocando a correctio fraterna da tradição tomista. O cardeal lembrou ao dissidente a carta em que Paulo VI enfatizava como a rejeição do Concílio era acompanhada pela rejeição da autoridade da Sé Apostólica. Além disso, a acusação de que o novo rito havia apagado o caráter sacrificial da Missa parecia tênue, e que o reconhecimento da primazia da consciência em relação à filiação a diferentes religiões não significava uma rejeição da decisividade da mediação de Cristo para a salvação.
As escolhas ecumênicas não podiam ser denunciadas como uma simples equalização de diferentes confissões. Tudo terminou com a recusa de Lefebvre em celebrar em latim no novo rito, em reconhecer o Vaticano II (que ele havia assinado) e em honrar a primazia da jurisdição papal.
Entre as vozes críticas que os católicos "conservadores" têm levantado em relação à escolha da fraternidade para novas ordenações, cito o Cardeal Gerhard Ludwig Müller, que, em uma entrevista ao Kath.net, afirmou: "Eles parecem desconhecer sua contradição com a fé católica, já que o Papa Romano é, em caso de dúvida, o critério decisivo final para a catolicidade".
Ele os convida a explicar a diferença entre sua posição e a de Lutero na Disputa de Leipzig de 1519, na qual declarou: "Até os concílios podem errar". "Ninguém tem o direito à consagração episcopal, que pertence à Igreja e não a grupos individuais com base na alegação de garantir a continuidade de sua organização de acordo com os direitos humanos." "A solução adequada seria que a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X não se atrevesse a ditar ao Papa as condições para a sua plena reintegração na Igreja Católica, mas reconhecesse, em conformidade com o Concílio Vaticano I (1870), ao qual recorre tão prontamente, que não se pode ser plenamente católico sem plena comunhão com o Papa, atualmente o Papa Leão XIV".
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