"Trump só cometeu erros; agora ele é forçado a negociar com o Irã". Entrevista com Daniel Pipes

Donald Trump | Foto: Daniel Torok/Flickr

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27 Mai 2026

O ex-conselheiro de Bush Jr. e presidente do Fórum do Oriente Médio afirmou: "O presidente estragou tudo e agora não tem alternativa a não ser negociar. Ter poder militar não basta, a menos que ele esteja pronto para enviar tropas para o terreno."

"Trump não sabe mais o que fazer, se é que algum dia soube." Um desanimado Daniel Pipes, ex-conselheiro de Bush Jr. e presidente do Middle East Forum, acrescenta: "Não acho que os bombardeios de ontem marquem o fim das negociações, porque o presidente não tem alternativa, a menos que decida enviar tropas terrestres ao Irã."

A entrevista é de Paolo Mastrolilli, publicada por La Repubblica, 27-06-2026.

Eis a entrevista.

O que está acontecendo?

Teerã está em uma boa posição e nós não.

Por que você vê tudo tão sombrio?

Não temos os meios para pressionar o regime a fazer o que queremos. Trump está frustrado, muda de ideia constantemente: isso é um sinal de fraqueza. Temo que acabemos com uma nova versão do acordo JCPOA negociado por Obama.

A guerra foi um erro?

O erro fundamental foi acreditar que poderíamos replicar a Venezuela: somos mais fortes, temos mais aviões e bombas, então podemos impor nossa vontade. Mas todos cometeram erros.

O que isso significa?

Israel errou ao acreditar que a revolta de dezembro e janeiro inspiraria seu povo a se rebelar, quando, na verdade, o havia exaurido. O Irã errou ao atacar seus vizinhos, pensando que pressionaria os EUA, pois, ao fazê-lo, criou ainda mais inimigos. O erro mais grave, porém, foi nosso.

Por que?

Teerã pode resistir por mais tempo do que nós; uma ditadura teocrática pode durar mais do que uma democracia. E então desencadeamos a guerra sem qualquer planejamento, enquanto os iranianos se preparavam há 47 anos. Nunca se deve iniciar um conflito sem estar disposto a usar tropas terrestres. É por isso que a Constituição exige aprovação do Congresso, para obter apoio popular. Um presidente não pode declarar guerra simplesmente porque lhe dá vontade, mesmo que acredite ser o certo, sem explicações ou planejamento. É um erro terrível, e agora estamos colhendo as consequências.

Trump havia anunciado que o acordo era iminente, mas depois recuou. O que aconteceu?

As críticas dos republicanos o magoaram. Ele os chamou de perdedores, os insultou, mas não pode ignorá-los. É por isso que ele não finalizou o acordo que já havia sido negociado.

Os ataques de ontem marcam o fim das negociações?

Não creio, mas isso demonstra que as questões fundamentais estão longe de serem resolvidas. Os iranianos continuam a controlar Ormuz, e isso não é nenhuma surpresa. Mostra a seriedade deles: estavam preparados para a guerra, enquanto nós não estamos.

Trump vai agora bombardear tudo ou retomar as negociações?

Trabalho nesta área há muito tempo, mas ele é o primeiro presidente que não consigo prever. No entanto, não acho que ele vá abandonar as negociações, porque não tem outra alternativa senão enviar tropas para o Irã.

O que ele deve fazer?

Se ele estivesse mesmo empenhado em avançar, primeiro precisaria restabelecer as relações com seus aliados. Israel está envolvido, mas não é mais um parceiro, pois tem objetivos diferentes. Trump precisaria que os europeus, japoneses e australianos — seus aliados mais importantes — se coordenassem com eles, mas, em vez disso, ele os insulta e os ameaça.

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