26 Mai 2026
"A Flotilha Global Sumud alcançou seu objetivo: derrubar o muro narrativo que a imprensa e a política ocidentais ajudaram a erguer. Obriga a olhar para o que jornalistas, ativistas, cidadãos e prisioneiros palestinos denunciam, o que escrevem em livros e artigos e o que mostram em seus filmes e transmissões ao vivo na TV", escreve Chiara Cruciati, jornalista italiana, em artigo publicado por il manifesto, 22-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Há algum tempo, Zahra Shorrab viu uma foto no Instagram: um homem com pés e mãos amarrados, sentado no chão com as costas apoiadas em um bloco de concreto, olhos vendados e vestindo um abrigo branco. O post marcava a localização: Cidade de Gaza. A mulher olhou para os poucos traços do rosto que estavam descobertos e o reconheceu: era seu filho, Mohammed. Ela o estava procurando há dois anos. Havia desaparecido sem deixar rastro em 20 de agosto de 2024. Acima da foto, um "anúncio": "À venda". O post foi publicado por um soldado israelense estacionado em Gaza, Harel Amshika, em seu perfil. Não há notícias de Mohammed. Esse é apenas um dos inúmeros casos: cidadãos israelenses, sejam soldados rasos ou ministros, exibem crimes de guerra e contra a humanidade. O que acontece na Palestina nunca foi segredo. Mesmo assim, Israel trabalha incansavelmente para impedir a entrada de jornalistas internacionais e matar jornalistas palestinos. Investe uma fortuna na Hasbara, a propaganda de estado (de 15 milhões em 2023 a 700 milhões em 2026) necessária para limpar sua imagem com a ajuda de influenciadores, inteligência artificial e eventos públicos. Exerce pressão, muitas vezes nem mesmo necessária, sobre os governos amigos para que reprimam manifestações em prol da Palestina e ameaçou repetidamente os Tribunais de Haia. Mais recentemente, tentou limitar os efeitos das flotilhas, tanto de mar quanto de terra.
Isso pode parecer uma contradição, e o macabro show de Ben Gvir parece confirmá-la: o ministro autodenuncia as práticas de detenção israelenses enquanto o restante das instituições, diante das condenações internacionais, as descartam rotulando-as como o ato meio maluco de um único indivíduo. A contradição, no entanto, não existe: o que Israel tenta impedir é o testemunho externo direto. Silenciou as vozes da imprensa palestina e internacional. Demonizou todos os relatórios de ONGs independentes e das Nações Unidas. No caso da Flotilha, chegou às portas da Europa para sequestrar pessoas que não buscavam tanto romper o bloqueio de Gaza — uma façanha impossível —, mas sim quebrar o silêncio que o sustenta.
Far-right National Security Minister Itamar Ben-Gvir released a video showing detained participants of the intercepted Gaza-bound flotilla being bound and dragged in Israel's Ashdod Port, writing, "That's how we welcome the terror supporters. Welcome to Israel."
— Haaretz.com (@haaretzcom) May 20, 2026
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A Flotilha Global Sumud alcançou seu objetivo: derrubar o muro narrativo que a imprensa e a política ocidentais ajudaram a erguer. Obriga a olhar para o que jornalistas, ativistas, cidadãos e prisioneiros palestinos denunciam, o que escrevem em livros e artigos e o que mostram em seus filmes e transmissões ao vivo na TV. Sua captura espetacular e a humilhação infligida aos prisioneiros confirmam a ameaça que tal missão representa para Israel.
O genocídio já estava sendo transmitido ao vivo, agora é mais difícil ignorá-lo. Cabe às equipes de terra continuar a amplificar a voz palestina.
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