19 Mai 2026
Com fenômeno climático afetando o regime de chuvas e elevando as temperaturas, a perspectiva é de maior frequência de bandeiras vermelhas.
A informação é publicada por ClimaInfo, 18-05-2026.
Ao que tudo indica, a questão não é saber se haverá um El Niño neste ano, mas quando ele começará. Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), há 82% de chance do El Niño acontecer entre maio e julho, e 91% entre junho e agosto. Como o fenômeno afeta severamente o regime de chuvas e as temperaturas – cenário agravado pelas mudanças climáticas -, a tendência de o inverno e a primavera serem mais secos e mais quentes no Brasil do que o habitual deixa o setor elétrico em alerta. E pode doer no bolso da população.
A perspectiva é de maior frequência de bandeiras vermelhas – a mais cara do sistema de bandeiras tarifárias, que indica mensalmente o custo real da geração de energia elétrica no Brasil – nas contas de luz em 2026, segundo O Globo. Como a eletricidade é um item essencial, tem um dos maiores pesos no cálculo do IPCA. Ou seja, tarifas elétricas mais altas causam um efeito cascata nos preços de produtos e serviços e pressionam a inflação.
“Há previsão de uso de geração termelétrica complementar nos próximos meses [em substituição à energia hidrelétrica, mais barata, mas dependente das chuvas] como parte da estratégia regular de operação para garantir o atendimento da ponta de carga e reforçar a segurança energética durante o período seco. Vale ressaltar que desde março já vêm sendo utilizadas em despachos fora da ordem de mérito para preservar os reservatórios da região Sul”, diz o Ministério de Minas e Energia (MME) em nota, em referência ao acionamento de usinas mais caras a fim de garantir o atendimento da demanda.
Um estudo da Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica para negócios, destaca que mesmo um El Niño de fraca ou moderada intensidade pode produzir impactos significativos em um planeta mais quente por causa das mudanças climáticas. Portanto, para o setor elétrico, o cenário exige atenção para planejamento operacional, gestão de carga e monitoramento hidrológico, explicam Megawhat e Cenário Energia.
Os impactos projetados pela Nottus desenham um cenário de dupla pressão sobre o Sistema Interligado Nacional (SIN), a rede elétrica básica do país. Ou seja, afeta simultaneamente a oferta e a demanda de energia em diferentes submercados.
O Centro-Oeste e o Sudeste podem registrar temperaturas acima da média no 2º semestre, com maior frequência de ondas de calor e aumento da demanda por refrigeração e consumo elétrico. Já no Norte e no Nordeste, a tendência de redução das chuvas pode pressionar os recursos hídricos e afetar a geração hidrelétrica, reduzindo as vazões de importantes bacias e exigindo maior atenção com o nível dos reservatórios.
O estudo lembra que eventos recentes demonstram como extremos climáticos já impactam diretamente o setor elétrico brasileiro. Durante o último El Niño, entre 2023 e 2024, o país registrou recordes de demanda de energia associados às ondas de calor intensas e prolongadas.
SBT News, Globo Rural e Folha também repercutiram o aumento da probabilidade do El Niño em 2026 e seus efeitos econômicos.
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