Não somos órfãos. Artigo de José Antonio Pagola

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08 Mai 2026

É possível seguir Jesus, carregando nossa cruz diariamente, sem amá-lo e sem sentir-se profundamente amado por ele? É possível impedir o declínio do cristianismo sem reacender esse amor? Que força poderá mover a Igreja se a deixarmos extinguir?

 O artigo é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, publicado por Religión Digital, 04-05-2026.

Eis o artigo.

Uma Igreja composta por cristãos que se identificam com um Jesus pouco compreendido, pouco amado e rotineiramente lembrado é uma Igreja que corre o risco de desaparecer. Uma comunidade cristã reunida em torno de um Jesus sem vida, que não cativa nem toca os corações, é uma comunidade sem futuro.

Na Igreja de Jesus, precisamos urgentemente de uma nova qualidade em nosso relacionamento com Ele. Precisamos de comunidades cristãs marcadas pela experiência viva de Jesus. Todos podemos contribuir para uma nova maneira de sentir e vivenciar Jesus na Igreja. Podemos torná-la mais Jesus, mais unida a Ele. Como?

Em seu Evangelho, João narra a despedida de Jesus na Última Ceia. Os discípulos pressentem que ele logo lhes será tirado. O que será deles sem Jesus? A quem seguirão? Onde encontrarão consolo na esperança? Jesus lhes fala com especial ternura. Antes de partir, deseja mostrar-lhes como podem viver unidos a ele, mesmo após a sua morte.

Antes de tudo, algo precisa ficar gravado em seus corações para que jamais se esqueçam: “Não os deixarei órfãos. Voltarei.” Eles nunca devem se sentir sozinhos. Jesus lhes fala de uma nova presença que os envolverá e lhes dará vida, pois os alcançará no mais profundo do seu ser. Ele não os esquecerá. Ele virá e estará com eles.

Jesus não pode mais ser visto pela luz deste mundo, mas pode ser percebido por seus seguidores através dos olhos da fé. Não deveríamos valorizar e reacender ainda mais essa presença do Jesus ressuscitado entre nós? Como podemos trabalhar por um mundo mais humano e uma Igreja mais evangélica se não o sentirmos ao nosso lado?

Jesus lhes conta sobre uma nova experiência, uma que seus discípulos jamais haviam conhecido, enquanto o seguiam pelas estradas da Galileia: “Vocês saberão que eu estou no Pai e vocês estão em mim”. Essa é a experiência fundamental que sustenta nossa fé. No fundo de nossos corações cristãos, sabemos que Jesus está com o Pai e nós estamos com Ele. Isso muda tudo.

Essa experiência é alimentada pelo amor: “Quem me ama… eu o amarei e a ele me revelarei”. É possível seguir Jesus, carregando nossa cruz diariamente, sem amá-lo e sem sentir-se profundamente amado por ele? É possível impedir o declínio do cristianismo sem reacender esse amor? Que força pode mover a Igreja se a deixarmos morrer? Quem pode preencher o vazio deixado por Jesus? Quem pode substituir sua presença viva entre nós?

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