07 Mai 2026
"Não acendi a luz. E convivo com esse arrependimento todos os dias." Ao amanhecer do último 3 de março, María De León Menéndez teve que fazer uma escolha dolorosa. Abrir as gavetas e pegar pertences aleatoriamente, tateando no escuro, ou acender a luz, arriscando atrair a atenção do exército israelense para a casa de Yarun. "Não quis colocá-la em perigo. As bombas caíam por toda parte, uma estrutura próxima havia sido atingida. Peguei meus documentos e pouco mais e saí sem poder dar uma última olhada ao apartamento onde morei por mais de quinze anos. Mas eu sentia que nunca mais voltaria, ao contrário da última vez...".
A reportagem é de Lucia Capuzzi, publicada por Avvenire, 05-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Esse não é o primeiro êxodo de María, guatemalteca de nascimento e libanesa por adoção. Em 2009, teve que deixar seu país devido à violência das gangues. Ao chegar à pequena comunidade no sul do Líbano, a dois quilômetros da fronteira com Israel, após o massacre do Hamas em 7 de outubro de 2023, ela se viu, como o restante dos habitantes, na linha de fogo entre o Hezbollah e o exército de Tel Aviv. Após dois dias de terror, as cinquenta famílias cristãs e o mesmo número de muçulmanas fugiram. "Ficamos fora — alguns em Beirute, alguns nos arredores, alguns no norte — por quase um ano e meio. Depois, em março de 2025, minha família e outras doze famílias cristãs tomaram coragem e voltaram. No entanto, não ficamos muito tempo...".
Exatamente um ano depois, mais um conflito — o sétimo na "Terra dos Cedros" em meio século — forçou os moradores a fugirem mais uma vez. "Uma viagem sem volta: na última quinta-feira, descobrimos que as casas, a igreja e o convento de São Jorge, as infraestruturas foram arrasadas pelos militares israelenses. Tudo destruído", acrescenta a ex-professora de espanhol, agora empregada por uma empresa de logística, que, junto com seus vizinhos, alugou uma casa em Rmeish, uma cidade de 6.000 habitantes a cinco quilômetros ao norte de Yarun.
O porta-voz do exército do estado judaico, Avichay Adraee, explicou no X que as forças de segurança tiveram que intervir na área para "eliminar ameaças e remover as infraestruturas terroristas do Hezbollah", que supostamente usava casas e complexos religiosos como depósitos. Ele esclareceu, no entanto, que não destruíram o Mosteiro do Santo Salvador, mas causaram apenas pequenos danos à escola adjacente. "Mas o Hezbollah já havia saído de Yarun há muito tempo. Éramos apenas cristãos e nenhum de nós escondia armas ou milicianos. Não temos nada a ver com estes últimos. Aliás, consideramos que elas são a causa de muitos dos nossos sofrimentos", responde María.
"Estamos entre a cruz e a espada de Israel. Sabe o que mais me dói? O fato de Tel Aviv não ter nos avisado sobre as demolições. Nem sequer nos perguntaram se queríamos levar alguma coisa. Um objeto, uma roupa, um móvel. Uma lembrança qualquer dos momentos que vivemos... Simplesmente pulverizaram tudo." Os moradores de Yarun descobriram o destino de sua cidade por meio de fotos de satélite. Como o acesso a partir do Líbano é difícil, pediram a parentes no exterior que as procurassem. Assim que as encontraram, juntaram os cem dólares necessários para comprá-las. Em 26 de abril, receberam as primeiras imagens. "A rua principal e os prédios ao redor haviam desaparecido. Por alguns dias, mantive a esperança de que minha casa, longe do centro e localizada atrás do cemitério, ainda estivesse lá. Eu estava enganada..." Na quinta-feira, a verdade inequívoca foi revelada por novas fotografias enviadas do exterior.
"Yarun inteira desapareceu. Simplesmente não existe mais. Qual o sentido de continuar vivendo aqui, em uma vila e uma casa que não são minhas e que, além disso, me custam 500 dólares por mês? Qual o sentido de viver todos os dias com medo de ter que fugir novamente por causa do Hezbollah ou dos israelenses? Não posso voltar para a Guatemala nem ficar aqui. Comecei a solicitar proteção na Itália. Eu só gostaria de encontrar um lugar de onde eu não precise fugir...".
Yarun, infelizmente, não é um caso isolado. Dentro da "Linha Amarela" — a "faixa de segurança" traçada por Israel entre a fronteira e o rio Litani — pelo menos vinte vilarejos foram "arrasados" por tratores israelenses, de acordo com análises de imagens de satélite. Enormes manchas brancas — indicando escombros — ocupam aquilo que, até um mês atrás, eram Markaba, Hanine, Meiss al-Jabal, Houla, Majdel Selm, Deir Seryan, Bint Jbeil, Naqura, Aynata, Kh Iam, Thaybeh, Aitarun. O retorno é impossível para os cerca de 700 mil moradores evacuados, apesar do cessar-fogo. O "modelo Gaza", evocado pelo Ministro da Defesa de Tel Aviv para o sul do Líbano, está se consolidando a cada dia.
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