Descarte ou chegança? Artigo de Rolando Lazarte

Foto: WONSUNG JANG/Unsplash

Mais Lidos

  • Apenas algumas horas após receber um doutorado honorário da UAB, essa importante voz da teoria feminista analisa as causas e possíveis soluções para a ascensão do totalitarismo

    “É essencial que a esquerda pare de julgar a classe trabalhadora que vota na direita.” Entrevista com Judith Butler

    LER MAIS
  • O Sínodo apela a "uma mudança paradigmática na forma como a Igreja aborda as questões doutrinais, pastorais e éticas mais difíceis", como as que dizem respeito aos fiéis LGBTQIA+

    LER MAIS
  • É divulgado o relatório do Grupo de Estudos do Sínodo sobre questões LGBTQ+; novas formas de resposta do ministério

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

07 Mai 2026

"Tempo para viver, é o tempo que há. Ou devemos fazer esse tempo? Eu creio que enquanto estamos vivos(as) temos essa possibilidade. A de fazermos a vida valer a pena. Que cada dia, cada hora, cada instante conte. É isto", escreve Rolando Lazarte, sociólogo, terapeuta comunitário, escritor, em artigo publicado pela Revista Consciência, 05-05-2026.

Eis o artigo.

Papa Francisco falava no descarte. A civilização do descarte. Não sei se são exatas estas palavras. Mas o descarte é. Até que ponto o legado de Francisco continua a nos tocar? Até que ponto nós, pessoas da terceira idade, continuamos de fato sendo parte da sociedade?

Acabo de assistir a um filme argentino, “Parque Lezama,” na Netflix. Um pouco é isto. Não toleram os velhos. Tentam nos descartar de todo jeito. Mas ainda estamos aqui. Da minha parte, não só não estou de saída, mas na verdade estou chegando.

Machado de Assis falava, não sei se nas Memórias póstumas de Brás Cubas, na vida como um processo no qual vamos, por assim dizer, completando etapas, edições. A edição final é a atual. A síntese e florescimento do viver como um todo.

Sinto-me à vontade de deixar vir o que sinto e o que penso. Afinal, esta revista têm um formato de diário. Um espaço de conversa. O que creio ter aprendido sobre tudo neste já longo trajeto que me trouxe até aqui, é que não há palavras finais. E nem final há, no fim das contas.

Continuidade, sim, isto é o que tenho visto que existe. Prosseguimos algo que começou antes da nossa nascença, e que fomos modelando ao longo do tempo. O tempo poderia parecer que também foi descartado, neste tempo de não termos tempo para nada. Tudo é pra já. Pra ontem ou anteontem.

Será? O sol já vem. O dia vem aí. Tempo para viver, é o tempo que há. Ou devemos fazer esse tempo? Eu creio que enquanto estamos vivos(as) temos essa possibilidade. A de fazermos a vida valer a pena. Que cada dia, cada hora, cada instante conte. É isto.

Leia mais