30 Abril 2026
O Dia Mundial da Malária, 25 de abril, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2007, lembrou o Relatório Mundial sobre a Malária de 2025, estimando que 282 milhões de pessoas contraíram a doença e mais de 610 mil morreram em todo o mundo em 2024. O continente africano registra 94% de todos os casos e 95% de todas as mortes. Mais de três quartos das vítimas fatais eram crianças menores de cinco anos.
A informação é de Edelberto Behs.
A humanidade se depara com uma “verdade dolorosa”, registra a antropóloga social Gracia Violeta Ross Quiroga, lotada no Conselho Mundial de Igrejas (CMI) nos programas para HIV, Saúde Reprodutiva e Pandemias: “a malária é evitável, tratável em ainda assim, mortal”. Hoje, “a malária continua sendo uma doença da desigualdade, e seu fardo persistente é uma falha moral compartilhada pela comunidade global”. Por isso, ela é também uma das doenças mais injustas.
Lamentavelmente, o mundo está longe de atingir as metas globais de combate à malária até 2030. A razão? A redução de recursos, insuficientes para eliminar a doença. Em 2024, o financiamento global para o combate à malária cobriu apenas 42% do necessário para programas que salvam vidas. As terapias combinadas à base de artemisinina, que curam a malária, custam incríveis 2,50 dólares (12,5 reais), menos que o preço de uma xícara de café!
A malária, explicou Gracia Quiroga em artigo para o CMI, é uma doença sensível ao clima. O aumento das temperaturas, a alteração aos padrões de chuva, inundações e eventos climáticos extremos expandem os criadores de mosquitos e prejudicam os esforços de controle da malária. Dá para entender, assim, porque a África registra os maiores casos da doença. “A malária sensível às mudanças climáticas não é simplesmente uma questão ambiental; é um sintoma nas relações entre a humanidade, a criação e os pobres”, assinala a antropóloga.
Assim, a malária extrapola a questão saúde. É uma questão de justiça, uma questão infantil, e, em última análise, uma questão de fé, enfatiza Gracia Quiroga. Nas duas últimas décadas, a ação global salvou milhões de vidas. Desde 2000, estima-se que 2,3 bilhões de casos de malária e 14 milhões de mortes foram evitadas. Vacinas e um simples mosqueteiro são ferramentas essenciais no combate à malária.
O Brasil registrou 58 mortes por malária em 2021.
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