29 Abril 2026
Delegações de 50 países, ONGs, sociedade civil e diversas igrejas e denominações religiosas debaterão até 29 de abril em Santa Marta sobre como abandonar a dependência catastrófica dos combustíveis fósseis.
A informação é de Federico Piana, publicada por Vatican News, e reproduzida por Religión Digital, 28-04-2026.
O futuro da transição ecológica mundial está em jogo, em parte, em Santa Marta, Colômbia. Esta pequena cidade às margens do Mar do Caribe, protegida pela Sierra Nevada de Santa Marta, uma cordilheira tão extensa quanto a região do Vêneto, sedia a primeira conferência internacional onde delegados de 50 países e representantes de organizações da sociedade civil, ONGs e diversas igrejas e religiões discutem uma meta ambiciosa que não pode mais ser adiada: abandonar definitivamente os combustíveis fósseis e trilhar caminhos diferentes, não caracterizados pelo uso de carvão, petróleo e gás, os principais culpados pelas catastróficas mudanças climáticas.
Decisões específicas
O evento, que se encerrará em 29 de abril após seis dias de debates, conferências e seminários, foi fortemente promovido pelos governos da Holanda e da Colômbia. Não é por acaso que a Colômbia, e especificamente Santa Marta, foi escolhida para sediar esta primeira e histórica cúpula. A cidade, localizada ao norte da capital, Bogotá, tornou-se o principal ponto de conexão para as exportações de carvão para toda a América do Sul. Enquanto isso, a Colômbia possui uma economia fortemente dependente de combustíveis fósseis e busca desesperadamente uma alternativa.
Convicções compartilhadas
“O presidente colombiano, Gustavo Petro, está convencido de que os combustíveis fósseis são a principal causa da crise ambiental que coloca em risco a vida em nosso planeta. Essa é uma visão compartilhada por muitas nações, mesmo que alguns líderes se recusem a admiti-la.” Alberto Franco Giraldo, padre redentorista colombiano e chefe da rede ecumênica Igrejas e Mineração na Colômbia — que busca enfrentar os desafios impostos pelos impactos e violações dos direitos socioambientais causados pelas atividades de mineração —, responde à imprensa do Vaticano enquanto acompanha o evento.
Conceitos-chave
Os debates que ocorreram até agora, explica ele, giraram em torno de alguns conceitos-chave: “Primeiro, o fato de que as soluções não podem vir do mesmo sistema que gera as crises. Segundo, que as soluções não são encontradas em ‘empresas verdes’ que buscam apenas modificar atividades sem abordar as causas profundas da crise e sem assumir a responsabilidade por suas próprias ações e decisões. E, em seguida, que não pode haver transição energética sem justiça climática e justiça social, sem ouvir o clamor da Terra e o clamor dos pobres. Finalmente, que o modelo e a lógica extrativistas que criaram o problema não podem fazer parte da solução. A mudança necessária para resolver a crise não será possível sem transformações sociais, culturais e espirituais.”
Perigos iminentes
Recentemente, em vista da conferência de Santa Marta, a rede Igrejas e Mineração alertou, em um documento, que a corrida armamentista, o aumento das guerras — com as da Ucrânia e do Oriente Médio na vanguarda —, bem como a extração desenfreada de minerais críticos e terras raras, "geram um maior consumo de combustíveis fósseis, emissões de gases de efeito estufa e uma destruição acelerada da natureza".
O genocídio e o ecocídio não são causados apenas por conflitos, mas também pelo sistema extrativista que os sustenta. E o padre Alberto Franco Giraldo não mede palavras ao nomear os responsáveis: "O capital financeiro, as multinacionais, os governos do Norte Global, as pequenas elites do Sul Global. Eles querem preservar o capital e os privilégios acumulados ao longo da história por meio de guerras, violência e chantagem."
Possível alternativa
Mas será que uma alternativa é realmente possível? Parece que sim, segundo o padre redentorista. “As comunidades indígenas locais estão demonstrando que uma verdadeira transição ecológica se baseia na produção diversificada e orgânica de alimentos; em fontes de energia autossuficientes; no cuidado com a água e as florestas; e em uma baixa pegada de carbono. É necessário dar visibilidade a essas alternativas, apoiá-las econômica e tecnicamente e criar redes de comércio justo. Mas, acima de tudo, devemos reconhecer e valorizar a espiritualidade das comunidades indígenas em relação à nossa Mãe Terra.”
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