16 Abril 2026
Instituições defendem que o Brasil dispõe de condições técnicas e naturais para liderar a transição energética global.
A reportagem é publicada por Climainfo, 15-04-2026.
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) enviaram uma carta ao presidente Lula e aos ministros da Fazenda, Dario Durigan, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira, cobrando o cumprimento do despacho presidencial de 8 de dezembro de 2025, que determinou a elaboração das diretrizes para o mapa do caminho da transição energética no país em até 60 dias. As instruções para elaboração do roteiro deveriam estar disponíveis no início de fevereiro, mas, dois meses depois, não há qualquer sinal delas.
No texto, as instituições alertam que o atraso ocorre em um cenário de agravamento da crise climática e de aumento da vulnerabilidade brasileira a eventos extremos, como secas, enchentes e ondas de calor, além de riscos à produtividade agrícola e à estabilidade dos ecossistemas. Também aponta a vulnerabilidade econômica associada à dependência de combustíveis fósseis, ressaltando que a instabilidade geopolítica internacional pode afetar preços, inflação e o abastecimento de insumos essenciais, informa o Jornal da Ciência.
Frente a 25% de chance de um Super El Niño ainda em 2026 e cidades brasileiras despreparadas para os impactos de eventos climáticos extremos, a inércia pode custar caro. “Cada ano de inação acarreta custos econômicos e humanos imensamente superiores aos da necessária transição energética”, diz o documento.
SBPC e ABC se colocam à disposição para contribuir ativamente para a elaboração das diretrizes e do mapa do caminho. As duas instituições defendem que o Brasil dispõe de condições técnicas e naturais para liderar a transição energética, mas frisam a necessidade de coordenação entre governo, setor produtivo e comunidade científica.
O Observatório do Clima (OC) já havia destacado que o atraso no mapa do caminho nacional expõe padrões duplos do Brasil. Afinal, o país, na presidência da COP30, está elaborando a proposta de roteiro para a transição energética global. Mas não dá o exemplo em casa.
“Enquanto os [ex] ministros Fernando Haddad [Fazenda] e Marina Silva [Meio Ambiente] defendiam um processo próprio para o mapa do caminho nacional, o ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, quer diluir o roteiro em propostas já existentes do planejamento energético brasileiro. Isso significaria, na prática, não ter um mapa do caminho, já que o planejamento energético brasileiro prevê a ampliação dos investimentos em combustíveis fósseis”, explica o OC.
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