Explorar petróleo na Foz do Amazonas sai quase R$ 50 bi mais caro do que investir em renováveis

Foto: Agência Brasil

Mais Lidos

  • “Permitir a instalação de um empreendimento com essa magnitude de demanda sem uma avaliação climática rigorosa significa aprofundar a vulnerabilidade territorial já existente”, afirma a advogada popular

    Data centers no RS e as consequências de sua implementação. Entrevista especial com Marina Dermmam

    LER MAIS
  • Inteligência Artificial e o empobrecimento da Igreja como centro de dados. Artigo de Massimo Faggioli

    LER MAIS
  • A ideologia da Palantir explicada por Varoufakis

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

24 Abril 2026

WWF-Brasil derruba argumento econômico favorável à rota fóssil ao calcular custos e benefícios para a sociedade.

A informação é publicada por ClimaInfo, 23-04-2026.

O argumento mais comum dos defensores da exploração de combustíveis fósseis na Foz do Amazonas afirma que a atividade geraria riquezas hoje para financiar a transição energética amanhã, mas tal premissa nunca foi testada com dados. O WWF-Brasil desenvolveu um estudo que faz justamente isso: coloca os números na mesa e pergunta se essa lógica se sustenta quando o cálculo considera não apenas o lucro das petrolíferas, mas os custos e benefícios reais para toda a sociedade brasileira, incluindo saúde, clima e oportunidades perdidas.

Resultado: o petróleo que supostamente financiaria a transição energética pode, na verdade, custar R$ 47 bilhões ao Brasil, destacam Exame e R7. A cifra é resultado do custo de oportunidade perdido se, em vez de apostar em combustíveis fósseis na Foz do Amazonas, os recursos fossem direcionados para investimentos em fontes renováveis de energia.

O estudo do WWF-Brasil aplica a Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB), do guia metodológico oficial do governo federal recomendado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para avaliar grandes investimentos públicos. Em complemento à análise de rentabilidade privada, a ACB mede o que a sociedade ganha ou perde, colocando na conta os impactos que o mercado não precifica, como os danos climáticos de secas e enchentes; os prejuízos à saúde pública; e as consequências de longo prazo para o país.

Para garantir que os resultados se mantenham em diferentes cenários de preço e risco, foram realizadas 10.000 simulações, comparando real por real, energia por energia e litro por litro. Assim, a exploração na Foz do Amazonas pode gerar um prejuízo líquido de R$ 22,2 bilhões ao país, porque os custos totais do projeto, somados aos impactos ambientais ao longo de sua operação, superam os benefícios econômicos diretos, explica o Pará Terra Boa. Já investir o mesmo valor em renováveis produz um benefício líquido de R$ 24,8 bilhões. A diferença entre os dois totaliza exatamente os R$ 47 bilhões.

”Os motivos são estruturais: a rota fóssil prioriza extração e uso de recursos não renováveis, com altos impactos ambientais, mas a grande evidência do estudo é o custo financeiro dessa escolha. Afinal, quando inserimos na conta as consequências climáticas e sociais, os prejuízos podem ser bilionários. Já as rotas renováveis distribuem benefícios em cadeias descentralizadas, com emissões no ciclo de vida até 80% menores e maior potencial de desenvolvimento regional. Além disso, o país já é autossuficiente em petróleo, e as reservas do pré-sal atendem à demanda interna durante o processo de transição energética”, explica Ricardo Fujii, especialista em Conservação do WWF-Brasil e um dos coordenadores do estudo.

Há ainda um risco que costuma ser ignorado: o petróleo da Foz do Amazonas só chegaria ao mercado daqui a cerca de uma década, exatamente quando a demanda mundial já estará em queda estrutural, segundo projeções da Agência Internacional de Energia (IEA). Isso significa que o Brasil corre o risco de construir uma infraestrutura bilionária que se tornaria obsoleta antes de gerar retorno, forçando o Estado – leia-se a população brasileira – a arcar com o prejuízo.

Leia mais