A vara e a mão. Comentário de Giorgio Agamben

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11 Abril 2026

"A inteligência artificial surge no momento em que o homem, não mais capaz de dominar as ferramentas que ele mesmo criou, torna-se vítima do que Gunther Anders chamou de vergonha prometeica e, desistindo de pensar, submete-se à vara que lhe escapou das mãos", escreve Giorgio Agamben, filósofo italiano, em comentário publicado por Quodlibet, 16-03-2026.

Eis o comentário.

"Porventura o machado se gloriará sobre aquele que o maneja? Ou a serra se gloriará sobre aquele que a empunha? Como se a vara pudesse orientar aquele que a empunha, ou o cajado pudesse sustentar aquele que não é feito de madeira" (Isaías 10).

As palavras do profeta descrevem exatamente o que está acontecendo hoje. Os dispositivos tecnológicos são a vara que alega orientar e, de fato, orienta aqueles que a empunham — ou melhor, acreditam que o fazem. E a inteligência artificial surge no momento em que o homem, não mais capaz de dominar as ferramentas que ele mesmo criou, torna-se vítima do que Gunther Anders chamou de vergonha prometeica e, desistindo de pensar, submete-se à vara que lhe escapou das mãos.

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