A blasfêmia de Trump: “No Domingo de Ramos, Jesus entrou em Jerusalém (...). Agora me chamam de rei. Dá para acreditar?”

Foto: Wikimedia Commons | DHSgov

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07 Abril 2026

"Senhor Presidente, ninguém pagou um preço como o que o senhor pagou. Quase lhe custou a vida. O senhor foi traído, preso e falsamente acusado. (...) No terceiro dia, ele ressuscitou, derrotou o mal e venceu a morte no túmulo", diz a televangelista Paula White, conselheira espiritual do presidente... na presença de um bispo católico.

 A informação é publicada por Religión Digital, 02-04-2026. 

A pastora e televangelista Paula White, pertencente ao movimento cristão evangélico e especialmente conhecida por ser conselheira espiritual de Donald Trump, bem como por assessorar o Escritório de Fé da Casa Branca, comparou este presidente a Jesus de Nazaré: “Jesus nos mostrou que grande liderança e grande transformação exigem grandes sacrifícios. E, Sr. Presidente, ninguém pagou um preço como o que o senhor pagou. Quase lhe custou a vida. O senhor foi traído, preso e falsamente acusado. (...) No terceiro dia, ele ressuscitou, derrotou o mal e venceu a morte no túmulo. E porque ele ressuscitou, todos nós sabemos que podemos ressuscitar. E por causa da ressurreição dele, o senhor ressuscitou. Por causa da vitória dele, o senhor foi vitorioso. E por causa da vitória dele, o senhor conquistará tudo o que almejar.”

As declarações, que foram muito bem recebidas por Trump, foram feitas em um evento realizado na quarta-feira, 1º de abril, com representantes da imprensa, autoridades políticas e religiosas, por ocasião das celebrações da Páscoa e da Semana Santa. Elas irritaram grande parte da comunidade cristã nos Estados Unidos e em todo o mundo, tanto católicos quanto protestantes.

O reverendo Benjamin Cremer, também cristão evangélico, considerou as declarações de "blasfemas". "Isso é blasfêmia. É assim que soa usar o nome de Jesus em vão." O discurso também causou raiva e indignação entre os católicos. O padre jesuíta James Martin, por exemplo, destacou: "Pedir a Deus, em uma oração pública, que ajude um líder político a tomar decisões sábias, a cuidar dos pobres, a alcançar a harmonia, a tentar incluir todos aqueles que se sentem excluídos? Sim. Comparar um líder político, em uma oração pública, ao puríssimo Filho de Deus durante a Semana Santa? Não." O teólogo católico Rich Raho também se indignou com a comparação: "É blasfêmia. É estarrecedor ver um bispo americano ainda de pé no palco enquanto Paula White compara Trump a Jesus Cristo."

Nesse mesmo evento, realizado pelo governo Trump para celebrar a Páscoa, o presidente dos Estados Unidos também fez outras declarações controversas. Por exemplo, ele abordou a comparação frequentemente feita por seus apoiadores políticos: “No Domingo de Ramos, Jesus entrou em Jerusalém e foi recebido por multidões com louvores, sendo aclamado como rei. Agora me chamam de rei. Vocês acreditam nisso?”

Além disso, Trump também gerou controvérsia ao afirmar que acredita que os cristãos gostam mais de Israel do que os judeus: “ Se não fosse por mim, não haveria Israel. Francamente, os evangélicos e os cristãos... acho que eles gostam mais de Israel do que os judeus, para falar a verdade.”

Trump também comentou que, quando alguém é gentil com ele, ele já gosta dessa pessoa: “Mesmo que sejam pessoas ruins, não me importo. Lutarei até o fim por elas.” Sobre o Irã, o presidente americano observou que eles conseguiram uma “mudança de regime por acidente”: “Eu nunca gostei da ideia de mudança de regime porque é muito complexo para colocar em uma lista de desejos, mas nós conseguimos.” Ele zombou de Macron, comentando que a esposa do primeiro-ministro francês trata o presidente “extremamente mal” e brincou que, se houver um acordo de paz com o Irã, ele levará “todo o crédito”, mas se falhar, culpará J.D. Vance.

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