24 Março 2026
Agência diz que medidas são necessárias para lidar com a “maior interrupção de fornecimento na história do mercado de petróleo”.
A informação é publicada por ClimaInfo, 23-03-2026.
Com a escalada dos preços do petróleo e do gás e restrições no abastecimento por causa da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, a Agência Internacional de Energia (IEA) decidiu apelar para o lado da demanda em uma tentativa de conter a crise energética. A entidade está recomendando que as pessoas reduzam a demanda por petróleo trabalhando mais em casa, voando menos e dirigindo mais devagar.
A IEA afirma que essas medidas – juntamente com ações como pegar carona e trocar os fogões a gás por elétricos -, são necessárias para lidar com a “maior interrupção de fornecimento na história do mercado de petróleo”, que elevou o preço do barril para acima de US$ 100, destaca O Globo. Ontem (23/3), contudo, o Brent para junho recuou 9,86% e fechou a sessão abaixo dessa marca, cotado a US$ 95,92 o barril, segundo o InfoMoney – ainda assim, um valor muito superior aos US$ 70 do Brent antes do conflito.
A disparada do petróleo provocou aumentos ainda mais acentuados nos preços de produtos refinados, como diesel, querosene de aviação (QAV) e gás liquefeito de petróleo (GLP). Os 32 países-membros da IEA concordaram em liberar um volume recorde de 400 milhões de barris de petróleo de reservas de emergência para aliviar a pressão. No entanto, a agência afirmou que “medidas apenas do lado da oferta não podem compensar totalmente a dimensão da perturbação”, apelando aos consumidores para que façam a sua parte, explica a Earth.org.
Nesse sentido, como o trabalho remoto reduz diretamente o consumo de combustíveis no deslocamento diário, a IEA aponta o home office como uma das formas mais rápidas de cortar a demanda por petróleo, informa o UOL. A redução da velocidade nas estradas também ajuda a economizar combustível. De acordo com a agência, diminuir limites em ao menos 10 km/h pode gerar impacto relevante tanto para carros quanto para caminhões.
O uso de transporte público é uma alternativa ao carro particular, destaca a agência, já que a mudança reduz congestionamentos e diminui o consumo de combustíveis em larga escala. Sistemas de rodízio de veículos, como já ocorre em São Paulo, por exemplo, podem complementar as ações. Caronas e direção eficiente ampliam o efeito das medidas, bem como aumentar a ocupação dos veículos e adotar práticas de condução econômica.
A redução de viagens aéreas pode aliviar a pressão sobre o QAV. A IEA recomenda evitar voos quando houver alternativas viáveis, como reuniões virtuais. Quanto ao GLP, a agência sugere evitar seu uso em veículos, preservando o insumo para famílias mais vulneráveis.
A entidade defende que os governos atuem com incentivos, regulações e ações diretas no setor público. O apoio deve focar os mais vulneráveis, já que subsídios amplos são menos eficazes do que medidas direcionadas, frisa a IEA.
Todas as recomendações da IEA são feitas há tempos por especialistas como medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e, assim, frear as mudanças climáticas. Os governos, porém, ignoram. Agora, com as finanças públicas ameaçadas, talvez seja o empurrão que faltava para que os países ajam com mais afinco sobre a demanda e acelerem a transição energética.
Financial Times, Business Standard, BBC, Veja, CNBC e Euronews também repercutiram as recomendações da IEA.
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Alguns dos principais executivos de petróleo e ministros de energia do mundo expressaram na CERAWeek, evento do setor energético que acontece em Houston, crescente preocupação com os efeitos a longo prazo da guerra contra o Irã na economia global. Já o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, minimizou a crise, informa a Reuters. "A consequência não se limita aos altos preços da energia. Isso prejudicará outras cadeias de suprimentos", afirmou Patrick Pouyanne, CEO da TotalEnergies, apontando também para interrupções nos embarques de hélio do Oriente Médio, produto essencial para semicondutores e suprimentos médicos.
Em tempo 2
Governos da América Latina estão lançando uma ampla reformulação das políticas energéticas e fiscais, alertando que a alta dos preços do petróleo com a guerra no Oriente Médio ameaça a estabilidade regional. Segundo a Bloomberg, em toda a América Latina, e mesmo entre governantes de espectros políticos diferentes, as mudanças sinalizam que a era do financiamento estatal de combustíveis fósseis está chegando ao fim para dar lugar à sobrevivência fiscal.
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