18 Março 2026
A homilia do cardeal em Bolonha, durante a missa pré-Páscoa para as forças armadas e a polícia estadual: "As palavras do Papa não estão sendo levadas a sério."
A informação é publicada por La Repubblica, 17-03-2026.
Vivemos em uma época em que “o direito internacional está sendo humilhado”. E sem ele, “a lei se torna força”. Assim, o cardeal-arcebispo de Bolonha, Dom Matteo Zuppi, e presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), volta a abordar os conflitos e guerras em curso ao redor do mundo, que “parecem não ter fim”. Nesta manhã, em Bolonha, o cardeal celebrou a missa pré-pascal para as forças armadas e a polícia estatal.
Durante sua homilia, Zuppi criticou a "lógica da força" que domina os dias atuais e os "interesses que a justificam". Nesse sentido, afirmou o presidente da CEI, "o direito internacional está sendo humilhado", "ridicularizado a ponto de parecer ineficaz e, portanto, merecedor de limitação".
Em outras palavras, alerta Zuppi, isso efetivamente apoia "a inutilidade das organizações internacionais e multilaterais que, embora a guerra nunca tenha sido repudiada nestes 80 anos, apesar da sua culpável falta de reforma, ainda assim proporcionaram um fórum para discussão, esperança, justiça internacional e regras do jogo às quais podemos recorrer". Sem tudo isso, porém, "a regra torna-se força".
O presidente do CEI reitera então a importância da defesa. "Mas para ser eficaz, ela deve sempre ser acompanhada de compreensão", alerta. "A força armada nunca é um fator de dissuasão a menos que seja acompanhada de diálogo, discussão, pensamento compartilhado e a arte de resolver conflitos por meio do diálogo." Zuppi adverte ainda: "A história ensina, mas precisamos ir às aulas ou pelo menos revisar nossas anotações, caso contrário, mal nos lembraremos dela."
O Papa Leão XIV "infelizmente não é ouvido. E é preocupante que os cristãos, em especial, não o levem a sério, não o apoiem publicamente, muito menos em suas escolhas", continuou o prelado.
E ele adverte: " A voz do Papa Leão sempre reúne as vozes das vítimas, presentes e passadas, e também as expectativas de homens e mulheres de boa vontade, e a aspiração que é verdadeiramente de todos, que é a da paz."
O Pontífice, continua o cardeal-arcebispo, "serve à Igreja, uma voz livre, enfraquecida, mas que nunca deixa de falar de diálogo, de encontro, que nunca deixa de semear as sementes da paz. É por isso que ele pediu aos responsáveis: cessar-fogo, abram caminhos para o diálogo, a violência não traz justiça, estabilidade e paz."
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