"Uma reforma eclesial sinodal exige que alcancemos um novo olhar sobre a realidade humana e eclesial", afirma Rafael Luciani

Foto: Vatican Media

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12 Março 2026

O diretor do CEBITEPAL refletiu na Universidade de San Dámaso sobre a dimensão comunitária da fé, à luz do processo sinodal na Igreja.

A informação é de Luis Miguel Modino, publicada por Religión Digital, 11-03-2026. 

A reflexão teológica ajuda a avançar na vida de fé. Uma dinâmica presente na Universidade Eclesiástica San Dámaso, como manifestou a Jornada de estudo do Departamento de Evangelização e Catequese e do Biênio de Liturgia realizada nesta quarta-feira, 11 de março.

Dimensão comunitária da fé

Com o título "Comunidade Cristã e Vida de Fé", a reflexão demonstrou que "Batismo, Igreja e vida de fé constituem uma unidade dinâmica", como reconheceu na apresentação da Jornada o diretor do departamento organizador, Juan Carlos Carvajal. Ele destacou que a participação do Povo de Deus na celebração litúrgica é um dever e um direito, segundo o Concílio Vaticano II. Não se pode esquecer que "a fé cresce quando é celebrada em comunhão", afirmou.

O Batismo é o gerador do "nós eclesial", nas palavras de Rafael Luciani. O diretor do CEBITEPAL (Centro Bíblico Teológico Pastoral para a América Latina e o Caribe) partiu de um marco eclesiológico que dá prioridade ao Batismo, ideia presente nos Padres da Igreja e que acompanhou a vida da instituição no primeiro milênio, quando "os leigos exerciam distintas funções na comunidade cristã e não havia uma contraposição entre leigos e clero". Uma dinâmica que mudou com as reformas carolíngia e gregoriana, e com o Concílio de Trento.

O Concílio Vaticano II retoma essa primazia batismal, operando uma virada eclesiológica que define a Igreja como Povo de Deus. Opta-se por uma participação de todos os membros no múnus de sacerdote, profeta e rei, o que demonstra "a igualdade de todos por meio da dignidade batismal como critério vinculante e estruturante para a configuração da identidade de todos os sujeitos eclesiais". Produz-se assim, segundo Luciani, uma ressignificação das identidades e dos modos de relação.

A missão como centro da vida comunitária

Nessa perspectiva, ele mostrou que "para o Vaticano II, o ponto de partida e o centro da vida comunitária não será o culto, mas a missão de todo o Povo de Deus". Luciani sublinha que "o laicato não pode ser considerado uma vocação delegada nem derivada, e menos ainda residual", já que o batismo é a fonte de todo poder e do modo corresponsável em que este deve ser exercido. O ponto-chave é promover "relações de completitude", dado que nenhum sujeito eclesial é completo sozinho.

Sobre a transição do Concílio ao Sínodo, Luciani afirmou que o processo sinodal amadureceu a hermenêutica conciliar e promove a participação baseada na corresponsabilidade diferenciada. Isso exige renovar relações e realizar mudanças estruturais para acolher melhor a contribuição de todos.

A dimensão pneumatológica (do Espírito Santo) é vista como geradora da comunidade. O "nós eclesial" amadurece sinodalmente através do diálogo e do discernimento em conjunto. "Uma reforma eclesial sinodal nos exige alcançar um novo olhar sobre a realidade humana e eclesial", concluiu.

Caráter comunitário das celebrações litúrgicas

No campo da Liturgia, a reflexão girou em torno do caráter comunitário das celebrações. Rubén Carrasco Rivera, professor do Instituto San Ildefonso de Toledo, destacou que a Liturgia é obra de Cristo e da Igreja, fundamentada na assembleia.

O desafio atual é fazer com que o caráter comunitário brilhe além das rubricas (regras técnicas). É necessário superar o individualismo e o subjetivismo. Para isso, defendeu a necessidade de uma formação e catequese mistagógica que leve ao encontro pessoal com o Senhor e à vivência comunitária, onde o ministro está a serviço do único protagonista: Cristo.

Catequese e comunidade cristã

No campo da Catequese, Raul Pereda Sancho refletiu sobre os processos de iniciação. Ele abordou a questão do pertencimento, defendendo uma catequese que ajude a personalizar a fé.

Para Pereda, "a Iniciação Cristã é mais do que a soma dos sacramentos que a compõem". Ele defende que a fé não pode ser vivida de forma autônoma; é necessário enriquecê-la a partir de experiências vividas em comunidade. A dificuldade atual reside na ausência de vínculos de pertencimento, o que exige uma catequese que introduza o fiel em uma experiência de fé sintonizada com a vida da comunidade.

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