O Deus certo. Artigo de Michele Serra

Foto: Anadolu Ajansi

Mais Lidos

  • Desafios da “pornografia pastoral” na cultura digital. Artigo de Eliseu Wisniewski

    LER MAIS
  • O Brasil no ritmo do encantamento religioso. Artigo de Faustino Teixeira

    LER MAIS
  • O Crepúsculo de Vestfália e a Kenosis da Fronteira: A Companhia de Jesus no Limiar do Humano e o Colapso da Razão Técnica ante a Geopolítica da Dor. Artigo de Thiago Gama

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

09 Março 2026

"A contrapor o Deus certo ao Deus errado? Mas isso, me perdoem, se chama falência moral e falência política."

O artigo é de Michele Serra, jornalista, escritor e roteirista italiano, publicado por La Repubblica, de 08-03-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo. 

Costuma-se dizer que o vocabulário de Trump é aquele de uma criança de dez anos que leu pouco. Mas talvez até uma criança de dez anos que leu pouco se perguntaria: por que o líder dos Estados Unidos deveria nomear o líder do Irã? Com que direito? Segundo qual lógica? Algo diria à criança de dez anos que não, o líder dos Estados Unidos não pode nomear o líder do Irã, a quinze mil quilômetros de distância.

Na verdade, pelo cartório e pelo bem da verdade, não é uma criança de dez anos, mas um homem de oitenta anos, ébrio de poder, que profere as frases inacreditáveis que todos os dias saem de sua boca. Destruição, demolição, aniquilação do inimigo, essencialmente a subjugação de noventa milhões de pessoas ao seu arbítrio pessoal, são as palavras (literais) que esse senhor utiliza, muito semelhantes em sua banal ferocidade àquelas do clero fanático que há meio século brutaliza persas, curdos, azeris, turcomanos e outros grupos étnicos que têm o infortúnio de viver, voluntária ou involuntariamente, dentro das fronteiras da "república islâmica", forçados pela violência e pela intimidação a aderir à religião única.

E o que faz o octogenário da Casa Branca para combater o fanatismo religioso que atropela a liberdade no Irã? Reza ao seu Deus, cercado pelos pastores evangélicos que são sua Guarda Revolucionária eleitoral, e invoca a vitória contra o Mal. A isso, afinal, é que se reduz a famosa "primazia ocidental"? A contrapor o Deus certo ao Deus errado? Mas isso, me perdoem, se chama falência moral e falência política.

Leia mais