Como um cabo submarino chinês rompeu a trégua entre Boric e Kast

Foto: Wikimedia Commons

Mais Lidos

  • Contra a guerra injusta e injustificada com o Irã. Editorial da revista jesuíta America

    LER MAIS
  • RS registra 80 feminicídios em 2025; maioria das vítimas foi morta dentro de casa

    LER MAIS
  • Os resultados da guerra com o Irã "podem ser piores" do que os do Iraque, afirma Mary Ellen O'Connell, professora da Faculdade de Direito de Notre Dame - EUA

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

04 Março 2026

O presidente afirmou ser “falso” que seu futuro sucessor não tivesse sido informado sobre a iniciativa que busca conectar a Ásia ao litoral chileno, com a intervenção do governo dos EUA.

A reportagem é publicada por Página/12, 04-03-2026.

O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, encerrou abruptamente as reuniões de transição com o governo do presidente cessante Gabriel Boric na terça-feira, após acusá-lo de reter informações sobre um projeto de cabo submarino chinês. Atualmente, a cobertura da rede digital do Chile depende quase inteiramente de cabos que passam pelos Estados Unidos. O governo americano acredita que o projeto China-Chile prejudica a segurança regional e, usando isso como pretexto, revogou os vistos de três autoridades chilenas em fevereiro, incluindo o ministro dos Transportes e Telecomunicações. O governo chileno nega a acusação.

Versões cruzadas

Boric e Kast se encontraram pela terceira vez nesta terça-feira no Palácio de La Moneda para coordenar os preparativos para a transição presidencial em 11 de março. A reunião durou aproximadamente 20 minutos, mas terminou abruptamente depois que Kast exigiu que Boric se retratasse da declaração de que haviam discutido o projeto chinês, conforme Boric explicou aos repórteres após o encontro.

Boric afirmou ser “falso” que Kast não tivesse sido informado e se recusou a retratar sua declaração. Em entrevista ao canal Mega na última segunda-feira, o presidente indicou que, em 18 de fevereiro, alertou o presidente eleito sobre ameaças recebidas dos Estados Unidos a respeito do andamento do projeto chinês. A iniciativa envolve a construção de um cabo de fibra óptica pela multinacional China Mobile para conectar a Ásia à costa chilena, criando uma nova rota digital transpacífica para expandir e diversificar a cobertura.

Em decorrência do desentendimento, Kast suspendeu uma série de reuniões de coordenação entre os ministros entrantes e cessantes na terça-feira, afirmou Boric. Após deixar o Palácio de La Moneda na terça-feira, Kast disse não confiar nas informações fornecidas pelo governo e, portanto, encerrou o processo de transição conjunta. O governo de Boric mantém a posição de que as sanções americanas contra os três funcionários chilenos são sem precedentes e enviou uma nota de protesto em resposta. Segundo autoridades locais, o projeto do cabo submarino chinês ainda está em fase de avaliação.

Especialistas e jornalistas locais lembraram que, em ocasiões anteriores, a transição de poder se limitava a um encontro simples e cordial entre o presidente cessante e o eleito, e outro entre o gabinete cessante e o eleito. Contudo, desta vez, Kast não só criou seu próprio gabinete para preparar os aspectos burocráticos da cerimônia, como, desde o início, interferiu em assuntos legislativos, fazendo ligações para o Congresso e emitindo pareceres sobre projetos de lei ainda em análise parlamentar, fazendo aparições públicas constantes, embarcando em uma turnê internacional pela América Latina e Europa e realizando quase meia dúzia de reuniões com Boric.

Leia mais